Destinos com acessibilidade no Brasil

A acessibilidade é um assunto que ainda tem muitos pontos a serem discutidos no Brasil, um país com quase 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, seja ela visual, auditiva, motora ou intelectual. São cerca de 24% da população, segundo o Censo 2010. Esse número é gigantesco e, se comparado com a quantidade de lugares que oferecem turismo inclusivo – apenas 3,6% das cidades, de acordo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), é ainda mais gritante. 

Mas o que é uma cidade acessível? É aquela cidade que facilita a locomoção das pessoas, que estimula a interação entre ela e o turista, que tem soluções urbanísticas atendendo a todos, sem exceção. Ou seja, é aquele lugar que, além de rampas de acesso, elevadores, corredores mais largos, conta com piso tátil, sinalização em braille, avisos sonoros, transporte público adaptado, entre outros recursos.

Apesar dos grandes e numerosos desafios, algumas regiões do Brasil começam a oferecer um mínimo de mobilidade possível para que seus visitantes tenham algum tipo de experiência bacana, incluindo o contato com a natureza. E como o turismo está conectado ao mundo Peixe Urbano, destacamos alguns desses lugares que contam com um pouco de acessibilidade:

Gramado (RS) 

A cidade é palco do Festival de Cinema de Gramado, terceiro colocado na categoria Turismo Social do 1º Prêmio Nacional do Turismo, do Ministério do Turismo. Em agosto deste ano, por exemplo, acontecerá a 47ª edição do evento, e as sessões inclusivas vão contar com recursos como legenda descritiva de elementos que não podem ser percebidos por quem tem baixa ou nenhuma audição e com audiodescrição, que é a narração das cenas exibidas na tela para deficientes visuais.

Serra da Mantiqueira (SP) 

A cidade de Socorro, localizada na Serra da Mantiqueira, foi destaque internacional pelos investimentos em projetos de acessibilidade que garantem diversão a todos os públicos. A região possui sinalização tátil, elevadores, rampas e barras nos pontos turísticos. O município também foi premiado como referência em turismo acessível às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ao receber o diploma “Destaque de Honra – Gestão Municipal” durante o evento World Company Award (WOCA) 2017, em Portugal.

Manaus (AM) 

Desde março deste ano, o Bosque da Ciência, que abriga o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), oferece visitas autoguiadas para deficientes auditivos. O turista surdo pode recorrer ao Giulia, um aplicativo para smartphones que faz a leitura em Libras dos QRCodes dos pontos turísticos.

Chapada dos Guimarães (MT)

O Parque Nacional dos Guimarães, no Mato Grosso do Sul, conta com equipamento capaz de conduzir pessoas com dificuldade de locomoção pelas trilhas da unidade de conservação. Batizada de Julietti, a cadeira de rodas foi criada especialmente para trilhas por regiões planas e desniveladas.

Foz do Iguaçu (PR)

As Cataratas do Iguaçu, que ostenta o título de Patrimônio Natural da Humanidade, concedido pela Unesco, disponibiliza percurso acessível para pessoas com mobilidade reduzida ou em cadeira de rodas. No Parque Nacional do Iguaçu, há rampas, elevadores e até um bondinho, que transformam o lugar em um atrativo acessível no Brasil.