Ainda resiste ao cinema brasileiro? Listamos 10 filmes para você virar fã de vez

 

Há quem tenha uma certa relutância aos filmes brasileiros e prefira as produções cinematográficas de fora do país. Porém, o cinema nacional tem investido bastante em seus longas e produzido verdadeiros tesouros da sétima arte. Aproveitando o Dia do Cinema Brasileiro, comemorado em 19 de junho, que tal conferir algumas preciosidades que já foram exibidas nas telonas do país e até do mundo? Veja 10 longas-metragens do Brasil que nós do Peixe Urbano listamos para você não deixar de assistir:

 

O Pagador de Promessas (1962)

Adaptação da peça homônima de Dias Gomes, “O Pagador de Promessas” trouxe à tona uma série de conflitos entre o Brasil rural e o urbano. No longa, Zé do Burro (Leonardo Villar) – que vive numa pequena propriedade em Salvador – faz uma promessa num terreiro de candomblé para salvar seu asno, que foi atingido por um raio. Com a melhora do animal, o lavrador começa a sua jornada de carregar uma cruz rumo à Igreja de Santa Bárbara. Mas, no caminho, ele encontra um verdadeira via crucis enfrentando o descontentamento da Igreja Católica.

O longa foi o único filme brasileiro até hoje a conquistar a Palma de Ouro, em Cannes. Também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mas, apesar de ter entrado na disputa como o grande favorito, acabou perdendo a estatueta para o drama francês Les dimanches de Ville d’Avray, de Serge Bourguignon. Em 1988, o autor de o “Pagador de Promessas” adaptou a produção para a televisão, numa minissérie de 12 capítulos.

 

Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)

Baseado no romance de Jorge Amado, o filme conta a história de Dona Flor (Sônia Braga), que vive com o marido e o fantasma do ex. O malandro Vadinho (José Wilker), que só queria saber de farra, morre repentinamente, e a viúva então se casa com o recatado médico Teodoro Madureira (Mauro Mendonça). Mas o espírito do outro volta, e a sedutora professora de culinária de Salvador passa a manter um triângulo amoroso.

O longa, dirigido por Bruno Barreto, foi recordista de público por 34 anos no país e levou mais de 10 milhões de espectadores aos cinemas, até ser ultrapassado, em 2010, por Tropa de Elite 2.  Em 1998, ganhou uma adaptação para a televisão e, mais de 40 anos depois de estrear no cinema, voltou às telonas. A nova adaptação, de 2017, tem direção de Pedro Vasconcellos, e no elenco, Juliana Paes (Dona Flor), Marcelo Faria (Vadinho) e Leandro Hassum (Teodoro).  

 

Central do Brasil (1998)

Estrelado por Fernanda Montenegro na pele de Dora, o filme foi o primeiro a receber o Urso de Ouro, prêmio de maior prestígio do Festival de Berlim e é um dos mais prestigiados no cinema mundial. Também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor atriz para Fernanda Montenegro.

O longa conta a história da amargurada ex-professora, que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na estação de trem Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Por achar que os textos eram fantasiosos demais, ela nunca postou sequer uma correspondência. Porém, resolve ajudar o menino Josué (Vinícius de Oliveira), de 9 anos, que perdeu a mãe em um acidente.

Em busca do pai do garoto, Dora e Josué partem rumo ao interior do Nordeste. A produção brasileira arrecadou mais de 22 milhões de dólares nas bilheterias de vários países.  

 

Bicho de Sete Cabeças (2000)

Com direção de Laís Bodanzky e com Rodrigo Santoro (Neto) no principal papel, o filme mostra o drama do rapaz – que tem um péssimo relacionamento com o pai (Othon Bastos) e é internado num hospital psiquiátrico, após ser pego com um cigarro de maconha. No sanatório, ele passa por situações abusivas. A ideia é abordar as condições terríveis de tratamento em que os pacientes psiquiátricos são submetidos.

O longa foi um dos grandes vencedores do 1º Grande Prêmio Cinema Brasil e levou sete prêmios, entre eles o de Melhor Filme, o de Melhor Ator para Rodrigo Santoro, de Melhor Direção, de Melhor Roteiro e de Melhor Ator Coadjuvante para Othon Bastos. Também foi pré-selecionado para a 74ª edição do oscar, em 2002, para concorrer na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Muito aclamado internacionalmente, “Bicho de Sete Cabeças” foi exibido em festivais na Suíça, na Alemanha e no Canadá, e ganhou o prêmio de Melhor Filme nos festivais de Cinema e Cultura Latino Americana de Biarritz e de Creteil, ambos na França.

 

O Auto da Compadecida (2000)

Baseado na peça teatral de Ariano Suassuna (1955), o filme “O Auto da Compadecida” é um dos queridinhos dos brasileiros. O longa mostra as aventuras do mentiroso João Grilo (Matheus Nachtergaele) e de Chicó (Selton Mello), maior covarde da região. Os dois sertanejos vivem de aplicar golpes num vilarejo no sertão da Paraíba. Nem mesmo o perigoso cangaceiro Severino de Aracaju (Marco Nanini) escapa dos dois trambiqueiros. A partir daí, é só confusão. Porém, a aparição de Nossa Senhora pode ajudar a salvar a dupla, que também enfrentará Deus e o Diabo.

Dirigido por Guel Arraes, o filme venceu quatro das cinco indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil: Melhor diretor para Guel Arraes, Melhor ator para Matheus Nachtergaele, Melhor roteiro e Melhor lançamento. Foi escolhido o Melhor Filme no Festival de Cartagena, na Colômbia. Também foi premiado no Festival de Cinema de Viña del Mar, no Chile; e no de Miami, nos Estados Unidos. Em 2000, a produção foi o filme brasileiro de maior bilheteria, visto por mais de 2 milhões espectadores na época.

 

Cidade de Deus (2002)

O filme, dirigido por Fernando Meirelles, mostra o crescimento do crime organizado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. No decorrer da trama, vários personagens são retratados pelo ponto de vista de Buscapé (Alexandre Rodrigues), que cresceu na violenta favela e virou fotógrafo. Entre outros atores que estrelam o longa estão Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Leandro Firmino, Jonathan Haagensen e Douglas Silva.

No ano de lançamento, a produção levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas do Brasil. “Cidade de Deus” é considerado um dos filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos. Foi enaltecido pela crítica e é o único até agora a receber quatro indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia.

 

Amarelo Manga (2002)

O premiadíssimo longa tem no elenco principal Matheus Nachtergaele, Jonas Bloch, Dira Paes, Chico Diaz e Leona Cavalli. Com Recife de cenário e direção de Cláudio Assis, o filme conta uma sucessão de histórias curtas, como a de um homossexual que é apaixonado por um açougueiro, que – por sua vez -, tem uma amante, apesar glorificar a mulher evangélica; e também a fascinação de um necrófilo pela dona de um bar.

“Amarelo Manga” ganhou vários prêmios nacionais e internacionais, como o Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Fotografia. A produção também foi premiada em festivais de Berlim, Miami, Havana, entre outros.

 

Madame Satã (2002)

Dirigida por Karim Aïnouz, a extraordinária produção retrata a história de João Francisco dos Santos (Lázaro Ramos), um transformista da Lapa, no Rio de Janeiro, que sonha em se tornar um grande artista dos palcos. Filho de escravos, homossexual e pai adotivo de sete filhos, ele foi para a prisão após matar um bêbado.

Após deixar o cárcere, João Francisco começa a expressar a sua arte no palco de um cabaré como o lendário travesti Madame Satã – nome retirado de um filme que ele viu e adorou. O elenco tem ainda Marcélia Cartaxo, Emiliano Queiroz, Flávio Bauraqui, Renata Sorrah, Floriano Peixoto, entre outros. O longa foi exibido na mostra paralela à seleção oficial do Festival de Cannes, na França.

 

Carandiru (2003)

Baseado no livro “Estação Carandiru”, de Dráuzio Varella, a produção retrata o horror vivido por detentos no Carandiru, maior penitenciária da América Latina, nos anos 90, com revoltas e chacinas – como a intervenção da Polícia Militar -, que causou a morte de mais de cem presos.

O filme, de Héctor Babenco, mostra o drama de alguns detentos, que durante acompanhamento médico em uma campanha de prevenção à Aids, veem a violência se agravando cada vez mais, devido à superlotação. No elenco, Luiz Carlos Vasconcelos, Enrique Diaz, Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Milton Gonçalves, Aílton Graça, Lázaro Ramos, entre outros.

O longa ganhou o Festival de Cartagena, como o Melhor Filme, recebeu o Prémio do Público e o Especial do Júri, ambos para Héctor Babenco. No Grande Prêmio Cinema Brasil foi escolhido nas categorias Melhor Diretor para Hector Babenco e Melhor Roteiro para  Babenco, Fernando Bonassi e Victor Navas. Ganhou o Prêmio ABC de Cinematografia, como o Melhor Som. E também teve indicações no Prêmio Qualidade Brasil, à Palma de Ouro, em Cannes e no Festival de Banguecoque.

 

Tropa de Elite (2007)

O filme, que foi um dos fenômenos do cinema brasileiro, aborda o treinamento feito pelo capitão Nascimento, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar do Rio, para escolher o seu sucessor. Em estilo narrativo, ele faz uma denúncia da violência nos morros cariocas. A produção, de José Padilha, foi alvo de pirataria antes mesmo de sua estreia e distribuído livremente pela internet. Com isso, grande parte da divulgação do filme se deve às notícias sobre a investigação de seu vazamento.

Com “Tropa de Elite”, Wagner Moura ganhou o status de celebridade internacional. Além dele, fizeram parte do elenco André Ramiro, Caio Junqueira, Milhem Cortaz, Fernanda Machado, Paulo Vilela, Fernanda de Freitas, Maria Ribeiro e Fábio Lago.

O longa  recebeu o Urso de Ouro, em Berlim, de Melhor Filme. E também foi premiado na categoria no Festival Hola Lisboa, em Portugal. No Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro ganhou como Melhor Direção para José Padilha; Melhor Ator para Wagner Moura; Melhor Ator Coadjuvante para Milhem Cortaz; além das categorias Melhor Fotografia, Melhor Maquiagem; Melhor Montagem; Melhor som; Melhores Efeitos Especiais e Melhor Longa-Metragem Nacional.

 

E aí, gostou da seleção de filmes nacionais que fizemos para você? Aproveite também as ofertas de cinemas do Peixe Urbano para conferir os lançamentos nas principais telonas do país.