Memória afetiva no papel

Em tempos de nostalgia, onde até a Netflix aposta em séries que remetem a um passado de Sessão da Tarde, o vintage é a nossa fuga para os excessos tecnológicos. Nada de vilanizar smartphones e redes sociais, que tornaram o acesso à informação mais amplo e veloz. Mas é bom lembrar que podemos alternar textões no Facebook com aquele livro parado há meses, trocar o “oi sumida” por um café sem Wi-Fi e a mensagem instantânea por uma ligação para a avó.

A tecnologia avança nuvem adentro, com livros, fotos e músicas se transformando em bytes, enquanto deixamos velhos hábitos para trás, sem nos dar conta disso. É difícil lembrar a última vez que folheamos um álbum de fotos. Ao revisitar nossas memórias de infância, entramos em um universo sépia com artefatos ultrapassados e momentos familiares com menos interrupções. Não importa a que geração pertencemos, as lembranças remetem a um tempo desacelerado, se comparado ao nosso momento atual.

E como o ser humano é feito de apegos, elegemos pequenos tesouros para reter esse tempo. Um deles é a fotografia, um tipo de registro que evolui continuamente, mas não nos abandona desde a sua invenção. Podem surgir vídeos e gifs animados, mas nada vai ocupar o lugar cativo da foto como recanto da nossa memória afetiva.

Ao mesmo tempo em que adoramos a praticidade das câmeras digitais, nos acomodamos na nuvem e deixamos nossos registros flutuando em pastas desorganizadas. Garantimos a foto perfeita da viagem (inclusive algumas centenas delas), mas perdemos o fator surpresa da revelação. Postamos as imagens instantaneamente nas redes sociais e ganhamos dezenas de “likes”, mas são cada vez mais raros os momentos em família percorrendo álbuns de fotos cheios de história.

É bem verdade que gostamos de acreditar que a nossa época era mais simples e mais feliz, e chegamos ao cúmulo de lamentar pelo futuro “insosso” das próximas gerações (aham, Claudia). Em todo caso, podemos confiar no charme do vintage e do analógico para que eles reconquistem seus espaços de tempos em tempos (vide discos de vinil e vitrolas). Laboratórios de revelação podem ser quase uma relíquia, mas fotos em papel estão longe da extinção. Cabe ao nosso lado mais nostálgico a tarefa de resgatar tradições familiares e deixar álbuns de fotografias para nossos filhos e netos.

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