A liquidação agora é em casa (Veja)

Fenômeno na internet, os sites de compras já atraem 8 milhões de brasileiros –  e começam a transformar a maneira como as pessoas consomem

Por Renata Betti

Com os preços em trajetória ascendente, os 90 milhões de brasileiros que compõem o efervescente mercado consumidor do país vão à caça de promoções com novo ímpeto. É o que tem impulsionado um gênero de negócio que surgiu no Brasil há menos de um ano, mas já começa a transformar, de modo decisivo, o ato da compra. Trata-se dos sites de compras coletivas, espécies de atacadões virtuais que vivem de ofertar produtos e serviços com descontos que oscilam entre 50% e 90%. Eles atuam como intermediários entre milhares de clínicas de estética, agências de turismo, teatros e restaurantes e a clientela potencial, cadastrada no site. São regidos por uma lógica simples: vender o mesmo artigo ao maior número de pessoas num espaço curto de tempo, para proporcionar o menor valor possível. Fenômeno de dois anos para cá nos Estados Unidos e em países da Europa, esses portais de ofertas já colecionam números espantosos no Brasil. Em tão pouco tempo, surgiram 400 empresas de compras coletivas atuando em 45 cidades brasileiras e outras 600, recém-registradas, estão por vir até março. Mais de 8 milhões de brasileiros se tornaram adeptos, número que, estima-se, deverá cravar os 20 milhões até o fim do ano.

Diante da explosão dos sites de compras coletivas no Brasil – que crescem em ritmo jamais registrado por outros negócios na rede -, resta saber quantos terão condições de sobreviver. Há um consenso de que não serão muitos. Com a economia em franca expansão, 35 milhões de pessoas recém-guindadas à classe C e um pendor fora do comum pelas redes sociais (maior canal de divulgação para os sites de compras coletivas), o país está no alvo dos grandes investidores da internet. Ao que tudo indica, o que se vê hoje é apenas o início de uma transformação radical na maneira de ir às compras.

A princípio é bom para quem compra – e também bem-vindo à economia brasileira. Uma das razões diz respeito à geração que está encabeçando esse novo mercado, composta de jovens como os que ilustram as páginas desta reportagem. Um dos expoentes da turma, o economista Julio Vasconcellos, 30 anos, só se sentiu seguro para lançar o Peixe Urbano – o primeiro e o maior dos sites de compras coletivas hoje no Brasil – depois de comandar a operação do Facebook do país. Rendeu-lhe valiosa experiência e o capital necessário. Amigo de Mark Zuckerg, o bilionário dono do Facebook, que conheceu nos tempos em que, como aluno da universidade americana Standford, frequentava as rodas do Vale do Silício, Vasconcellos dá voz a um grupo de emergentes empresários com apreço à competição: “Minha obsessão é ter boas ideias antes dos meus concorrentes”.

O negócio do qual esses pragmáticos jovens fazem parte compõe uma cadeia produtiva bem maior. Como intermediários na venda, os sites levam uma comissão que varia entre 20% e 50% da conta a ser paga pelo cliente. O restante é destinado às lojas que prestam o serviço, atualmente 10 000 – 80% delas de tamanho modesto e nome desconhecido. Para boa parte dos donos desses pequenos negócios, figurar na vitrine de um site como Peixe Urbano, Click On ou Imperdível (para citar alguns dos maiores) traz, mais que lucro, uma visibilidade que eles não seriam capazes de alcançar de outra forma.

O DESBRAVADOR

Site: Peixe Urbano

Inauguração: março de 2010

Vendas: 3 milhões de cupons

Depois de se diplomar em finanças pela escola de negócios Wharton e fazer MBA em Standford, o carioca Julio Vasconcellos, 30 anos, voltou ao Brasil determinado a abrir um site de compras coletivas, nos moldes do que viu no mercado americano. Pela trajetória-relâmpago, o negócio já atraiu até investidores do Vale do Silício. Amigo do Zuckerberg, criador do Facebook, Vasconcellos diz: “Meu grande desafio é à caça de bons serviços”.

Fonte: confira a matéria completa no acervo digital da Veja, Economia, 16/02/2011

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