A nova onda do Peixe Urbano: nenhum fundador e lucro

Com nova presidência, o site de ofertas aposta na integração com o Groupon na América Latina para manter lucro no Brasil e criá-lo nos outros países

Exame | Mariana Fonseca

O site de ofertas Peixe Urbano começa 2019 com um novo presidente e a expectativa de crescimento forte. A chegada de Ilson Bressan ao comando marca uma nova onda para o negócio. Ele é o primeiro presidente que não está entre os fundadores do site de ofertas locais, no mercado desde março de 2010. Bressan seguirá muitas das estratégias desenhadas pelo seu antecessor, o cofundador Alex Tabor. Mas com um pouco mais de pragmatismo.

Tabor continuará como “conselheiro informal” da empresa e investirá em novos negócios. De acordo com o novo presidente, a passagem de bastão é algo “programado” no Peixe Urbano e seus administradores costumam ficar cerca de quatro anos no cargo. Tabor tornou-se presidente em maio de 2015, assumindo o lugar do também cofundador Julio Vasconcellos, que largou a empresa para ter empreendimentos como o fundo de investimentos Canary. O terceiro cofundador do Peixe Urbano, Emerson Andrade, não chegou a ser presidente e saiu do Peixe Urbano em 2014.PUBLICIDADE 

Bressan conheceu o Peixe Urbano quando vendeu sua startup, o site de reservas em restaurantes Zuppa, para o site de ofertas locais. O empreendedor geriu equipes comerciais e projetos de inovação no Peixe Urbano. Seu último cargo antes de se tornar presidente era o de vice-presidente comercial.

“Temos uma história de muito sucesso no Brasil e no mercado latino americano. Tenho a honra de assumir os sonhos que foram criados lá atrás e o compromisso de manter o histórico de inovação do Peixe Urbano. Vamos levá-lo a um novo patamar de geração de valor no Brasil e no resto da América Latina”, afirmou Bressan a EXAME.

Passos calculados

No topo da lista de prioridades do novo presidente está fazer a fusão com o antigo concorrente Groupon América Latina de fato funcionar, após cerca de um ano de integração. O negócio atua hoje nos seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

A escala será usada para aumentar a rentabilidade de ambos os comércios de ofertas locais, com menores custos de sistemas e um esforço de publicidade mútuo. Lentamente, a marca Peixe Urbano deverá tomar o lugar do Groupon América Latina. “Mantemos as duas marcas porque temos bases engajadas em ambas e não pretendemos mudar isso em curto prazo”, diz o executivo.

Em termos de produto, a preferência de Bressan está nas áreas que já funcionam para o Peixe Urbano: gastronomia e entretenimento. O negócio também está investindo em descontos para hospedagens e pacotes turísticos, mercado com concorrentes de peso, como Booking.com e Decolar. “Sem dúvida temos concorrentes, mas é um mercado com bastante potencial de crescimento e queremos oferecer uma experiência completa ao nosso usuário. Acredito que nossa força está na capacidade de oferecer diferentes produtos em diversas categorias”, afirma. 

O discurso é parecido, mas menos agressivo que o de Alex Tabor. O ex-presidente ressaltou anteriormente a EXAME apostas como o delivery, após a compra da empresa chilena de entrega de comida pronta e pacotes Menú Express. A ideia era replicar o serviço nos outros países do grupo. Bressan é mais comedido. “Temos oportunidades diferentes em cada país. O Menú Express é um piloto no Chile e não avaliamos entrar para esse mercado no Brasil. Temos outras propostas para engajar usuários.”