“Agora somos um shopping de ofertas”, diz CEO do Peixe Urbano (Veja.com)

Site brasileiro abandona modelo de negócio baseado em compras coletivas para se adaptar ao mercado e aposta no comércio eletrônico local

Por Renata Honorato

Veja_Dentro

Julio Vasconcellos, sócio do site Peixe Urbano, em seu escritório, no Rio de Janeiro (leonardo Wen/Folhapress)

Em 2010, Julio Vasconcellos deixou o Facebook para fundar o Peixe Urbano, inspirado pelo sucesso dos serviços de compras coletivas, segmento impulsionado nos Estados Unidos pelo Groupon. O modelo pegou no Brasil e o serviço cresceu. O apetite do público local por esse tipo de oferta, contudo, já foi saciado na visão do CEO. Por isso, a empresa decidiu mudar seu negócio. Ao invés de oferecer uma única promoção por dia em cada cidade (a exceção eram as capitais), o Peixe Urbano passou a divulgar diversas ofertas em categorias como comer & beber, entretenimento, beleza & bem-estar e serviços. Quem se interessar tem de duas a três semanas para efetivar a compra, ao contrário das 24 horas do modelo antigo. Mais: não é mais preciso um número mínimo de interessados para que uma oferta se concretize. Por fim, a companhia apostou na mobilidade: é possível aderir a uma promoção minutos antes de consumá-la em um estabelecimento. Na conversa a seguir, o executivo de 32 anos explica as mudanças.

Por que foi preciso mudar o Peixe Urbano de águas? Trata-se de uma evolução. Em 2010, quando lançamos o serviço, oferecíamos apenas uma oferta por dia. Esse modelo deu certo na época, mas depois começamos a perceber que algumas promoções não interessavam a todos os públicos. Um caso clássico era o da depilação a laser. As mulheres adoravam, mas os homens…

Por natureza, as ofertas para compras coletivas permanecem no ar por pouco tempo. Isso incomodava os usuários? Com certeza. Muita gente reclamava que não tinha tempo de acessar a promoção: só descobria a oportunidade quando ela já havia expirado. Percebemos que essas promoções tinham que durar mais tempo e que os usuários buscavam um modelo de prateleira, com diferentes produtos à disposição. Foi assim que começamos evoluir para o modelo atual. Agora somos um shopping de ofertas.

O comportamento dos consumidores mudou ao longo dos últimos três anos? Os nossos usuários já não se interessam mais por compras por impulso, que é justamente a essências das compras coletivas. Os consumidores querem agora encontrar no site ofertas que atendam a suas necessidades específicas.

A exigência de um número mínimo de interessados para a ativação da oferta também era um empecilho aos usuários? No começo, esse número até fazia algum sentido, mas depois do primeiro ano de operação todas as promoções atingiam o limite mínimo. Então, a preocupação passou a ser o número máximo: quando muitos cupons eram oferecidos, a tendência era que a qualidade do atendimentos nos estabelecimentos caísse.

Muitas pessoas reclamavam que eram maltratadas nos estabelecimentos quando apresentavam os cupom da oferta. Como evitar esse problema no novo negócio, ainda baseado em promoções? Ao comprar uma oferta, os usuários recebem em seu e-mail um questionário sobre o atendimento no local escolhido. Ao identificarmos problemas, incluímos o parceiro em uma espécie de “lista negra”.

Quantas ofertas são exibidas no site atualmente? Em São Paulo, por exemplo, temos cerca de 200 ofertas no ar. Elas duram entre duas e três semanas.

O Groupon, concorrente do Peixe Urbano no Brasil, também ensaia mudanças, transformando o serviço em um guia de entretenimento, onde as pessoas consultem comentários e recomendações. Qual será o papel do usuário no novo Peixe Urbano?Não estamos focados em conteúdo, tampouco em serviços de entretenimento. Nossa prioridade é o e-commerce local. Nosso acesso ao feedback dos usuários acontece via e-mail, após a compra de uma oferta.

O perfil do usuário mudou muito desde 2010? O perfil continua o mesmo: pessoas na faixa dos 30 anos, a maioria do sexo feminino. O que mudou mesmo foi a forma como elas interagem com o site. Mais de 10% das compras atualmente acontecem via celular. Por isso, passamos a oferecer ofertas instantâneas, que podem ser consumadas em seguida. As pessoas já não precisam nem imprimir o cupom: basta mostrá-lo no celular ao chegar ao estabelecimento.

Quais os serviços de maior popularidade atualmente no Peixe Urbano? Gastronomia, entretenimento, o que inclui shows, teatros e cinema, e beleza e estética.

Fonte: Veja.com, Vida Digital, 02/11/2013