Aplicativos de serviços aposentam o plástico (Valor Econômico)

por Fernando Porto

valor2Pagar menos por um corte de cabelo, uma refeição no delivery ou um almoço no restaurante e, o que é melhor, sem precisar ter em mãos o cartão de crédito. Essas são algumas das situações que já fazem parte da rotina de muitos brasileiros que aderiram aos aplicativos de serviços O2O (on-line to off-line).

Grande parte desses apps desenvolve sua própria plataforma mobile com a equipe interna de especialistas. É o caso do Peixe Urbano, empresa líder em compras coletivas no Brasil.

“A plataforma de pagamento veio integrada na estrutura do app, desenvolvido por nossa equipe interna”, explica Vitor Felden, diretor de produtos do Peixe Urbano. “O cadastro do cartão de crédito é feito só uma vez e, depois, o cliente não precisa mais sair com cartão ou dinheiro”, informa.

Além do uso de código de barras, que é apresentado na tela de celular para cinemas e restaurantes, o executivo também aponta a inovação de poder comprar créditos dos serviços, como se fossem dinheiro virtual. “A integridade dos dados do cartão também é garantida porque a confirmação é feita por meio de um token identificador. Já o estabelecimento recebe um relatório para fazer o fechamento do caixa”, acrescenta.

O app de delivery de comidas PedidosJá segue a mesma linha do Peixe Urbano. “O usuário insere uma única vez os dados do cartão de crédito, que ficam armazenados para futuras compras. O pagamento on-line melhora a experiência de compra do usuário”, afirma Ruben Sosenke, sócio co-fundador do PedidosJá. “A solução de pagamento foi montada desde o início junto a um fornecedor com vasta experiência no mercado brasileiro”, diz.

De acordo com Sosenke, o sistema é seguro porque as informações dos cartões de crédito dos usuários não são armazenadas. “Todos os dados ficam sob a responsabilidade da empresa que desenvolve nossa solução de pagamentos on-line”, explica.

valor1Outro app delivery de restaurantes, o SpoonRocket, usa a plataforma PayU para pagamentos. “Todas as transações são monitoradas por mecanismos antifraude, utilizando em conjunto os padrões de segurança em pagamentos que requisitamos para os clientes”, diz Roberto Gandolfo, CEO da empresa.

E que tal ter um app que, além de garantir segurança, resolve incômodos na hora de dividir a conta no restaurante?

O SelfiePay, da Muxi, por exemplo, permite a cada pessoa da mesa clicar no smartphone os itens que pagará automaticamente, sem a ajuda do garçom nem o uso do cartão de crédito. Em sua operação, o consumidor poderá escolher no celular entre uma das duas ferramentas de identificação: o QR Code ou o RFID, que estarão presentes na mesa e que detêm basicamente a informação numérica de onde o cliente está sentado. Ao aproximar o celular da solução, o estabelecimento receberá o pedido de fechamento de conta e tudo o que foi consumido é enviado automaticamente (por nuvem) para o aplicativo.

O pagamento SelfiePay será efetuado por meio do próprio celular, que emulará um terminal POS, enviando o comprovante para o caixa. “Nossa previsão é de colocar projetos-pilotos no primeiro trimestre de 2017 e implantar o serviço no segundo semestre do mesmo ano”, diz Alexandre Pi, fundador da Muxi. Segundo ele, a tecnologia é adaptada facilmente a 90% dos cerca de 5 mil softwares de gestão de estabelecimentos do país.

Além do SelfiePay, outras tecnologias de pagamento têm surgido no mercado para atender o mercado de aplicativos de serviços, priorizando principalmente a segurança.

É o caso da carteira digital Nix, do grupo Nexxera, que agrupa todos os cartões de crédito e débito em apenas um painel do app. Além disso, o usuário ganha automaticamente uma conta digital, sem taxas, que permite fazer transferências e pagamentos de contas. “Seu diferencial é o fator de segurança em transações financeiras porque tem todas as certificações necessárias como a PCI (Payment Card Industry), além de cumprir protocolos de auditorias independentes e internacionais”, explica o presidente do grupo Nexxera, Edson Silva.

A nova plataforma de pagamentos Airpass, da Safran Identity & Security, é outra opção para serviços O2O porque também facilita o pagamento ‘in app’ na retirada da mercadoria e garante a segurança “por meio do processo de tokenização e de criptografia ponta a ponta desde o momento em que a wallet é baixada pelo usuário, abrangendo também o armazenam seguro dos tokens”, explica Marcelo Bellini, vice-presidente de vendas da empresa.

Fonte: Valor Econômico, 25/11/2016