Baidu prevê ampliar operação na América Latina (Valor Econômico)

Por Marcos de Moura e Souza

O maior site de buscas da China, o Baidu, prepara uma expansão de suas operações na América Latina. Por enquanto, o serviço está disponível apenas no Brasil, onde em 2013 a empresa instalou uma base em São Paulo. O plano agora é chegar a outros grandes mercados do continente. Argentina, Chile ou México são os países onde a direção da companhia avalia instalar seu próximo quartel general regional.

No Brasil, a empresa fala em fazer novas aquisições depois de ter comprado site de compras coletivas Peixe Urbano no ano passado.

O Baidu é um dos “cases” de sucesso da era digital da China, mercado onde algumas grandes companhias ocidentais apenas arranham ou estão de fora. É o caso do Google. A empresa na qual o Baidu claramente se inspira para apresentar seu mecanismo de buscas chegou a se instalar na China, mas acabou saindo há alguns anos por não topar a censura ao seu conteúdo imposta pelo governo do partido comunista. O Baidu aceita jogar o jogo conforme as regras de Pequim. No ano passado, sua receita foi de US$ 7,8 bilhões, um aumento de 53,6% sobre 2013.

Num país com 1,3 bilhão de habitantes, a empresa diz ter 600 milhões de usuários ativos por mês em seu site. Somente no Baidu maps são quase 300 milhões. No segmento que não para de crescer na China, o da internet pelo celular, o Baidu é praticamente unanimidade entre os chineses. Em buscas pelo celular, o comando do Baidu diz não ter hoje nenhum grande concorrente. Sua penetração nesse mercado no país é algo em torno de 85%.

“Agora estamos buscando desenvolver mercados emergentes. Achamos que é onde teremos vantagens, porque podemos oferecer tecnologia que ainda não foi desenvolvida nesses países”, disse ao Valor Kaiser Kuo, diretor internacional de comunicações do departamento de relações com investidores do Baidu.

Kaiser recebeu a reportagem no edifício sede da companhia em Pequim – um desses lugares com ares de clube ou de campus universitário típicos de empresa de internet (com quadra de basquete, academia de musculação, sala de yoga, salão de beleza, por onde circulam funcionários em sua maioria na casa dos 20 anos).

“Com certeza estamos olhando outros países, especificamente na América Latina. Temos buscas em português para o Brasil e temos também em espanhol. Mas ainda não decidimos onde montar uma sede. Poderá ser Argentina, Chile ou México. Não sabemos ainda.”

Fundada por Robin Li em 2000, o Baidu, empresa 100% privada, abriu seu capital na bolsa de Nova York em 2005. Tornou-se a primeira chinesa no Index 100 da Nasdaq. Em 2008, iniciou sua investida internacional pelo Japão, o que se revelou um fiasco. O site de buscas por lá foi interrompido este ano. Em 2012, os chineses começaram seu caminho pelo mundo emergente: Tailândia, Indonésia, Vietnã, Egito, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Brasil.

A internacionalização do Baidu está apenas no começo, diz Kaiser. Por ora, a decisão da empresa é não investir em economias avançadas, afirma. As atenções da companhia além China continuam no Sudeste asiático, Norte da África, Oriente Médio e América Latina.

Mesmo atraentes, nenhum desses mercados oferece o que a China oferece. Há uns 15 anos, havia no país pouco mais de 1 milhão de cidadãos on-line, lembra Kaiser. Hoje são quase 700 milhões, dos quais pelo menos 550 milhões usuários de smartphones. Nas maiores cidades, como Pequim, Xangai e Shenzhen, a penetração da rede já chega a 70%. O avanço da internet na China é acelerado e agora chega a cidades menores e até a zonas rurais, diz Kaiser.

Os chineses que recorrem ao Baidu como motor de buscas sabem que não podem achar tudo. Os resultados são censurados pelo governo. Kaiser diz que as limitações ao conteúdo mudam frequentemente e que a empresa não está autorizada a discutir pontos específicos dessa regulação. O executivo afirma que, mesmo seguindo a lei, a companhia encara como uma missão sua “ampliar o máximo possível os horizontes das informações para os usuários”.

Líder nas buscas na internet entre chineses, o Baidu vê com entusiasmo outro nicho: o de conectar pessoas a serviços. É coisa que vai se tornando corriqueira entre chineses. Um exemplo é a compra de ingressos de cinema pelo celular usando o site do Baidu. No fim de semana do dia Internacional da Mulher, em março, Kaiser Kuo conta que de todos os ingressos de cinema vendidos na China, 15% foram comercializados por meio do Baidu.

Entrega de comida é outro serviço que se encaixa nessa estratégia. Em 20 cidades da China, esse é já o serviço número um do Baidu, afirma Kaiser. É uma ferramenta que funciona em 100 cidades chinesas. Outro serviço em que o Baidu parece ter achado terreno fértil: agendamento de consultas médicas. Para muitos chineses isso é uma enorme dor de cabeça e, segundo Kaiser, o Baidu está conseguindo facilitar a vida de pacientes em seis províncias do Sul da China onde, num acordo com médicos, a marcação já é feita pelo site.

“Serviços eram um tipo de território que não tinha o domínio de ninguém antes da ascensão dos celulares. Agora, os smartphones, com a possibilidade de localização, representam uma forma incrivelmente fácil de conectar pessoas com serviços”, diz Kaiser. “As três grandes companhias de internet da China, Baidu, Alibaba [de e-commerce] e Tencent [dona do superpopular Wechat, a versão chinesa do What’s Up], e inúmeras startups veem as oportunidades em conectar pessoas a serviços.”

No Brasil, é também esse o filão que o Baidu quer. Falando de São Paulo, Yan Di, diretor-geral da companhia no país, diz que em vez de ter de baixar um aplicativo para táxi, outro para reservas em restaurantes, outro para encomendar comida e etc, usuários poderão ter tudo isso agregado no site do Baidu. “Vamos fazer outras aquisições no país, ou investir ou fechar parcerias com empresas que já operam no setor de serviços”, diz.

O repórter viajou à China a convite da empresa de tecnologia Huawei

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Baidu prevê ampliar opraçaão na AL