Consumidor busca mais desconto em site especializado (Valor Econômico)

Por Tatiane Bortolozi

Empresas de cupons de desconto relatam crescimento de ofertas, parceiros e interações no primeiro semestre. É uma combinação de lojistas que querem reduzir estoques e consumidores em busca de promoções em um ambiente econômico pior, afirmam os executivos.

As vendas no varejo on-line avançam mensalmente de janeiro a junho, entre um dígito e dois dígitos médios, na contramão do recuo no varejo total, segundo relatório da MasterCard.

Os cadastros no site do Peixe Urbano subiram 143% nos seis primeiros meses do ano, enquanto o total de usuários ativos quase duplicou. As ofertas no ar eram 2,5 mil ao fim de dezembro somavam 8mil em junho.

O Save Me informa aumento de 30% nos cadastros do site e 18% mais contatos no ‘fale conosco’ relacionados a cupons de janeiro a junho, ante igual período de 2014.

O Groupon notou mais facilidade para fechar negócios no Brasil nos últimos meses, o que atribui à maturidade do posicionamento em comércio eletrônico local e a buscas de promoções pelo consumidor. A companhia tem capital aberto na bolsa americana e não abre seus dados no país.

As ofertas e cupons ajudam a queimar estoques e elevar o tráfego nos sites de varejistas, diz Guilherme Wroclawski, diretor do Save Me. O varejo está mais criterioso com investimentos em comunicação e pode estar migrando parte do aporte em anúncios externos para campanhas on-line, diz Alex Tabor, presidente do Peixe Urbano.
O comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 35,8 bilhões em 2014, segundo o e-bit, alta de 24%. Neste ano, a previsão é de avanço nominal de 20%.

Peixe Urbano, Groupon e Save Me mudaram seu posicionamento de negócio ao longo dos anos e deixaram de ser sites de ofertas diárias válidas a partir de um número mínimo de compradores (compras coletivas) para oferecer produtos e cupons de desconto.

O modelo de compras coletivas somava 2 mil sites no auge, em 2010, mas chegou praticamente ao fim em 2013. Os concorrentes que restaram podem ser contados nos dedos. Descontos muito agressivos geraram uma demanda desproporcional à capacidade de atendimento dos estabelecimentos, o que causou insatisfação entre os consumidores. Os negócios tiveram de ser reinventados com o apoio de grandes investidores. As mudanças incluíram melhora de eficiência, mais rigor no controle de qualidade e parcerias com grandes marcas.

Empresas de descontos investiram em aplicativos, geolocalização e na redução a necessidade do cupom impresso, adaptando-se às compras em smartphones. Os aparelhos representaram 45% das vendas do Peixe Urbano em junho e devem alcançar 50% em julho.

O Peixe Urbano foi adquirido em outubro de 2014 pelo grupo chinês Baidu. “Havia a necessidade de ampliar os investimentos em marketing, mas não havia capital suficiente disponível, principalmente no longo prazo”, diz Tabor. A parceria ajudou a alavancar o crescimento de vendas.

O Save Me, que funcionava como agregador de ofertas, pertence ao Buscapé desde 2010. “Tínhamos um volume grande de anunciantes e esse mercado começou a ser questionado e a diminuir. Então vimos a vantagem de pertencer a um grande conglomerado”, diz Wroclawski. As sinergias com outras empresas do grupo, como a Lomadee, de publicidade on-line, supriu a demanda anterior das compras coletivas. O modelo não foi eliminado, mas se tornou parte de um negócio mais abrangente. Representa 35% do conteúdo divulgado no site, enquanto vendas de viagens respondem por 32% e produtos correspondem a 33%. O tíquete médio de viagens hoje supera o de serviços. O custo por clique subiu, diz a empresa.

O Groupon investiu no comércio local, com descontos menores, mais controle de qualidade e parcerias com grandes marcas como Tramontina. “O reposicionamento não foi um divisor de águas nem uma reinvenção, mas uma evolução”, diz João Pedro Serra, vice-presidente comercial de Brasil

“Depois que a empresa passa por um ‘boom’ e uma queda, ficam muitas lições. Na época de muito crescimento, fazíamos qualquer coisa para suportar a expansão. Na piora do mercado, o foco foi a eficiência. Voltamos a crescer como antes, mas o aprendizado ficou”, diz Tabor, do Peixe Urbano.

O maior legado da compra coletiva foi mostrar o potencial da oferta de serviços para o mercado on-line, diz o diretor do Save Me. “O usuário e os varejistas entenderam que há novos formatos e maneiras de fazer ofertas on-line. Pensar que isso se restringia à compra coletiva é uma visão muito curta.”

Fonte: Valor Econômico, 10/08/2015

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