O Baidu e o peixe nadando no m-commerce (O Globo)

Por André Machado

A China está de olho no potencial do m-commerce (e-commerce via dispositivos móveis) no Brasil. E uma das pontas de lança nessa estratégia foi a compra, em fins do ano passado, do Peixe Urbano, site de ofertas com mais de 25 milhões de usuários, pelo site de buscas Baidu, o maior da China, com 700 milhões de usuários únicos e mais de meio bilhão de acessos por dia em todo o mundo. Segundo dados do próprio Baidu, o valor de mercado da empresa é de US$ 85 bilhões, e entre seus vários produtos — além da busca há antivírus, browsers, e softwares mobile — 45% são acessados e/ou adquiridos via dispositivos móveis. (Na China, o maior mercado de celulares do planeta, 80% das compras já são feitas pelo celular.)

Desde a aquisição, as vendas brutas do Peixe Urbano (que completou 5 anos no fim de março) aumentaram 70%, e a intenção dos sócios chineses, segundo Letícia Leite, diretora de comunicação corporativa do site, é chegar a 100% ainda este ano. Segundo ela, com a nova injeção de capital (o valor da aquisição não foi revelado, embora o Baidu tenha se comprometido à época investir mais de R$ 120 milhões no mercado brasileiro até 2017) e expertise tecnológica, o Peixe Urbano ganha novo fôlego para investir mais em inovação e crescimento, “agora de uma forma muito mais saudável e madura do que nos primeiros anos da empresa”. (O modelo então era de compras coletivas, que gerou furor por algum tempo, mas não deu certo.)

— Com o respaldo do Baidu, esperamos dobrar as nossas vendas em 2015, nos concentrando em três estratégias: mais ofertas no ar, parceiros de marcas fortes e foco no canal mobile, que segundo nossas estimativas, será responsável por mais da metade de nossas vendas até o final do ano — diz Letícia. — Acumuladas, já publicamos no site mais de 150 mil ofertas, e hoje são 5 mil em mais de 100 cidades brasileiras, com 30 milhões de cupons vendidos. A economia que geramos para os consumidores desde nossa criação em 2010 é estimada em R$ 3 bilhões.

A executiva explica que o Brasil ainda está muito atrás de países como Estados Unidos e China no uso de smartphones para fazer compras, porém já demonstra a mesma tendência e enorme potencial neste campo.

— Prova de que esta transição já está ocorrendo é que hoje cerca de 25% das pessoas que fazem uma compra pelo nosso aplicativo já querem utilizar a oferta adquirida no mesmo dia — diz Letícia.

 

Fonte: O Globo, 10/04/2015