Peixe Urbano contrata imigrantes da América Latina

Douglas Marcio | NSC, afiliada da TV Globo

Peixe Urbano contrata imigrantes

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Vocês já devem ter ouvido por aí que não tem nada melhor que a casa da gente, mas para os venezuelanos estar longe significa ter, no mínimo, a possibilidade de um recomeço.

“Muita saudade, todo dia. Não tem um dia que eu não sinta saudade. Mas com a situação de agora, não dá para ir nem de férias”, afirmou a venezuelana Maria José Hernandez, coordenadora de call center do Peixe Urbano.

Diante da maior crise da política e também da economia da Venezuela, Carol Monsalve já não conseguia mais pagar as contas nem comprar comida.

“Chegava dez, onze, uma da tarde, você ia procurar o alimento e ele não estava lá. Então eu não queria ficar assim. Não tinha esse costume de fazer fila e amanhecer para comprar um alimento que tinha que estar no supermercado”, disse Carol.

Foi aí que ela decidiu arriscar, entrou no Brasil por Roraima e depois veio para Santa Catarina, onde trabalhou como garçonete até conquistar uma vaga no Peixe Urbano. Ela começou atendendo os clientes por telefone e, apenas três meses depois, foi promovida para atuar no setor de RH.

“De repente saiu a vaga e falaram: você está selecionada. Maravilhoso, fiquei muito contente”, completou.

Para quem vem de fora, o idioma é sempre o maior dos obstáculos. Conseguir se comunicar num país diferente não é muito simples, mas no caso do Peixe Urbano foi justamente o contrário.

“A gente pensou: onde vamos contratar essas pessoas que têm fluência e, de preferência, que seja nativas? Bom, tem a questão da imigração dos venezuelanos para o Brasil. Então foi uma boa oportunidade da gente conseguir atender a nossa necessidade e dar opotunidade para essas pessoas que veem para o Brasil buscando uma nova vida”, destacou Anderson Valverde, diretor executivo de Recursos Humanos e Jurídico do Peixe Urbano e do Groupon Latam.

Setenta estrangeiros foram contratados. Outros 40 devem chegar nos próximos meses. Entre aqueles que já foram chamados para trabalhar pelo menos dez foram encaminhados pelo CRAI – SC (Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante). Essa é a primeira parceria do CRAI com a empresa.

“Através do trabalho, eles conseguem atender a várias outras demandas. A questão da moradia, da alimentação. Às vezes veem com crianças, veem com família. Então, isso é o que dá o sustento e dá um suporte para a família”, Luciano Leite, coordenador do Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante.

Para Gabriela Martini, agente de integração do CRAI, tanto o imigrante quanto quem faz a contração ganha com essa iniciativa:

“Não só uma oportunidade de os imigrantes estarem tendo uma oportunidade recomeçar a vida em Florianópolis, mas para as empresas também de terem um quadro mais multicultural, mais multiétnico.”

De fevereiro até agora, 36 venezuelanos passaram pelo CRAI, mais da metade tem Ensino Superior completo. A professora Lourdes Paraulacio dava aula numa universidade de lá. Mas há sete dias em terras catarinenses, ela disse que está disposta a pegar no batente para ajudar a família, que ficou na Venezuela.

“Quero emprego. Sou venezuelana, mas agora sou brasileira também e vou lutar pelo país. Mas conseguir um empresa está muito difícil”, relatou a professora.