Presença do Peixe Urbano anima ecossistema de inovação em Floripa

Por Bruno Capelas | O Estado de S. Paulo

Quase todos os dias, no final da tarde, os funcionários da Peixe Urbano em Florianópolis param o que estão fazendo e veem o pôr-do-sol pela janela do escritório, localizado em um prédio às margens da SC-401. Mas não foi a bela vista a principal razão que fez a empresa, fundada em 2010 no Rio de Janeiro, se mudar para a cidade. No fim de 2016, quando ainda pertencia ao Baidu, a Peixe precisava cortar custos.

Qualidade de vida e tributos atraíram Peixe Urbano, de Anderson Valverde e Alex Tabor, para a capital catarinense . Foto: Tiago Queiroz / Estadão

A solução encontrada foi procurar uma cidade com carga tributária menor – o Imposto Sobre Serviços (ISS) cobrado em Florianópolis é de 2%, contra 5% do Rio de Janeiro. A “ilha” não era a única opção, diz Alex Tabor, presidente do Peixe Urbano – Barueri (SP) e Saquarema (RJ) também estavam no páreo. “Mas o estilo de vida de Floripa era mais parecido com o do Rio, a adaptação seria mais fácil”, diz ele.

A mudança foi rápida – da decisão até à chegada de mais de 300 funcionários, foram só quatro meses. “Minha maior preocupação com Floripa era contratar”, diz Tabor, que perdeu as dúvidas ao conhecer o ecossistema local. “Percebemos que gente do Sul queria vir para cá, então ganhamos mais um atrativo.”

Matéria sobre o ecossistema das empresas de Florianópolis publicada no jornal O Estado de São Paulo

Em Floripa, a empresa ganhou novo rumo e até mudou de dono – hoje, faz parte do Groupon, concentrando operações da americana na América Latina. No refeitório da empresa, não é difícil ouvir espanhol, sinal da atração da cidade por profissionais do exterior. Em menos de um ano, esse “peixe grande” já se integrou com as startups locais e é citado como motivo de orgulho pelos locais – se a cidade é capaz não só de gerar empresas, mas também de atrair nomes de fora, é porque algo certo está sendo feito por ali. E não é graças à natureza.