Principal responsável pelas vendas, mobile é a grande aposta do Peixe Urbano (Revista Imprensa)

por Gabriela Ferigato

Ninguém contou para o pessoal do Peixe Urbano sobre a crise econômica que o Brasil enfrenta atualmente. Por lá, as coisas vão muito bem, obrigada. O primeiro semestre de 2015, inclusive, foi o melhor da história em termos de crescimento. O mobile foi um fator chave nesse processo. As notificações enviadas aos usuários – hoje são aproximadamente 25 milhões cadastrados – fizeram a empresa atingir 51% de participação de vendas pela plataforma.

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Desde que foi adquirido pela chinesa Baidu, segundo maior serviço global de buscas na web, as vendas geradas por notificações via push – enviadas quando há uma oferta dentro de um raio de 2 km, respeitando um limite diário – representam 16% do total da companhia. Hoje são 400 funcionários e, desde outubro passado, 160 novos colaboradores foram incorporados à equipe.

São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília lideram o ranking das cidades com maior volume de vendas pelos aplicativos. Segundo Alex Tabor, co-fundador e CEO do Peixe Urbano, a expectativa é de que as vendas pelo mobile cheguem a 65% até o fim do ano.

“Entre as melhores práticas do mercado chinês, que temos aplicado com sucesso no Brasil, estão a maior densidade de ofertas por região e o envio de notificações com base na localização do usuário. Essa estratégia está totalmente em linha com a nossa missão de ajudar as pessoas a explorarem o que há de melhor em cada cidade e tem dado muito certo”, ressalta Tabor.

IMPRENSA Mídia – O Peixe Urbano atingiu mais de 50% de participação de vendas pelo celular. O que motivou o crescimento?
Alex Tabor – Esse resultado é, sem dúvida, relacionado a todo o investimento e conhecimento estratégico que o Baidu tem nos proporcionado. Entre as melhores práticas do mercado chinês, que temos aplicado no Brasil, estão a maior densidade de ofertas por região e o envio de notificações com base na localização do usuário, alertando sobre ofertas próximas, disponíveis para uso imediato com o cupom digital. Essa estratégia está totalmente em linha com a nossa missão de ajudar as pessoas a explorarem o que há de melhor em cada cidade e tem dado muito certo.

O que mudou após a parceria com a empresa chinesa?
O Baidu é uma das maiores e mais inovadoras empresas de internet do mundo. Sendo seu principal mercado a China, onde cerca de 80% da população on-line acessa a web por meio de smartphones, ela tem impulsionado nossos esforços em fortalecer a liderança do Peixe Urbano no segmento de O2O (on-line-to-off-line) no Brasil, conectando cada vez mais consumidores a serviços locais por meio da web e, especialmente, da internet móvel. Apesar de estarem investindo fortemente no Peixe Urbano e no mercado brasileiro, as nossas operações continuam autônomas. Certamente existe muita colaboração e sinergia entre ambas as empresas, mas enquanto tentamos absorver o máximo possível do vasto conhecimento que eles possuem, eles também têm confiado plenamente no nosso entendimento do mercado local e na capacidade de execução do nosso time.

Quais os principais investimentos em mobile feito pelo Peixe Urbano?
Além do uso de notificações via push, temos oferecido descontos e vantagens especiais para quem usa o aplicativo, disponível para smartphones Apple e Android. Dessa forma, os usuários podem contar com preços ainda mais baixos, ter visualização das ofertas em mapa, lembretes de quando os cupons adquiridos expiram e a facilidade de utilizar a grande maioria das ofertas na mesma hora. Considerando as nossas ofertas de gastronomia, nosso segmento mais forte, cerca de 80% estão no formato “use agora”, o que significa que não exigem agendamento ou apresentação do cupom impresso. Isso torna a experiência do usuário muito melhor, especialmente pelo celular, já que dá para comprar e usar as ofertas a qualquer momento, de onde estiver, com apenas alguns toques.

Como mudar a cultura do cupom de papel pelo digital? Ainda há resistência dos consumidores?
Pelo contrário, nossos usuários nos pedem isso! A maior resistência tem sido por parte dos estabelecimentos, mas gradualmente estamos conseguindo fazer essa transição. No Brasil, infelizmente, a cultura do papel ainda é muito forte. Por uma questão de hábito, muitos estabelecimentos dizem preferir um comprovante físico, assim o cliente pode entregar o cupom para o garçom, que entrega para o caixa, que entrega para o gerente, e assim por diante, fazendo com que aquele comprovante faça todo o percurso junto com os demais papéis, recibos e relatórios que já transitam internamente no estabelecimento.

Como mudar essa realidade?
Para mudar esse hábito um tanto atrasado, temos mostrado aos nossos parceiros todas as vantagens do cupom digital. Além dos clientes pedirem isso para terem uma experiência melhor, com o cupom digital conseguimos atrair mais usuários para dentro do estabelecimento, já que podem usar o cupom a qualquer momento, sem precisar encontrar um lugar para imprimi-lo. O cupom digital também é 100% livre de fraudes, pois mostra o status de “disponível”, “usado” ou “cancelado” direto na tela do celular, atualizado em tempo real. Ao validar o cupom digital, ele aparece em nosso sistema como “usado”, e isso é atualizado imediatamente tanto no aplicativo do usuário como no Portal dos Parceiros, de onde é possível imprimir ou mandar por e-mail um comprovante da transação caso façam questão.

Como uma empresa de e-commerce local, de que forma trabalham para identificar os hábitos de consumo específicos de cada região?
Nós utilizamos uma combinação de elementos, entre eles a continua análise de diversos tipos de dados, incluindo de cadastro, compras, abertura de e-mails e cliques, além do feedback que os nossos clientes nos passam através da avaliação de suas experiências após utilizar um cupom e por meio da nossa equipe de relacionamento. Focado nessa análise de dados, temos o departamento de Business Intelligence, que apoia o trabalho de diferentes áreas da empresa, incluindo comercial, publicação, planejamento, marketing e relacionamento com clientes e parceiros. Além disso, a nossa estrutura se divide em núcleos, que se responsabilizam por determinadas áreas geográficas. Cada um conta com o conhecimento local das equipes comerciais fisicamente presentes e a experiência das áreas de publicação e planejamento, que estão constantemente analisando, junto ao BI, os tipos de ofertas que tem dado certo e o que não tem dado certo em cada região.

O que deve ser aprimorado no mercado de sistemas de pagamento móveis?
Hoje é bem simples, rápido e seguro fazer compras pelo celular. Com o smartphone é possível salvar os dados do cartão de crédito com segurança para que as próximas compras sejam ainda mais rápidas. Em alguns casos isolados, é possível que a transação demore um pouco para completar. Na maioria das vezes, a demora pode ser por dois motivos: problemas na conexão de dados ou por processos de companhias de antifraude. Enquanto não temos controle sobre essas duas situações, sabemos que as conexões em wi-fi estão cada vez mais acessíveis e melhores e que as companhias antifraude estão trabalhando para tornar o sistema ainda mais seguro. Portanto, as perspectivas para o segmento são excelentes e a tendência é que a experiência de pagamentos móveis continue melhorando e se tornando sempre mais onipresente.

O Peixe Urbano procura criar promoções exclusivas para os dispositivos móveis?
Já fizemos diversas ações para incentivar o download e o uso do nosso aplicativo, como descontos adicionais para compras pelo app e ofertas exclusivas para esse canal. Um exemplo bacana foi uma oferta que fizemos em parceria com um quiosque na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, onde vendemos a água de coco por R$ 1 para quem comprasse pelo aplicativo do Peixe Urbano. Estamos fazendo algo similar agora junto com alguns restaurantes, onde é possível comprar um cafezinho por R$ 0,99 pelo aplicativo do Peixe Urbano, oferta legal para aproveitar enquanto o cliente está sentado na mesa do restaurante, esperando a conta chegar, e tem tempo para baixar o aplicativo e fazer a compra do cafezinho com alguns toques.

Fonte: Portal Imprensa, 05/11/2015