Resultados inesperados na Copa derrubam fanáticos em bolões (Folha de S Paulo)

Quando os atuais campeões do mundo levaram 5 a 1 da Holanda no começo da Copa do Mundo, não foram apenas os espanhóis que lamentaram. Sentiram o golpe também muitos entendidos de futebol que participam de bolões pelo país.

Essa partida, além de Costa Rica 3 x 1 Uruguai, está entre as que tiveram menos acertos em bolões de oito empresas, que reúnem mais de 20 mil participantes, ao fim da primeira fase do Mundial.

“Placares assim estão derrubando o pessoal”, brinca Marcelo Rouco, da agência de comunicação dále ideias, que organiza os palpites para sete companhias. “Quem está liderando geralmente é quem não acompanha futebol. As zebras ajudaram eles.”

É o caso, por exemplo, das apostas dos funcionários da empresa Peixe Urbano.
Camila Schiavon, 27, está em primeiro entre os 159 participantes. Ela foi a única que acertou o improvável Costa Rica 1 x 0 Itália. “Chutei tudo, nem vejo muito futebol.”

O resultado da primeira etapa deixou o colega dela Fernando Saad, 29, desconsolado. “Assisto ao Brasileiro, Inglês, Italiano, Espanhol. Não serviu para nada, estou entre os últimos”, diz.

“Dei meus palpites com base no que conhecia das seleções. Agora deixa pra lá, vou chutar tudo.”

E é justamente na base do chute que a assistente administrativa Sirlaine Barbosa Alves, 23, lidera o bolão da Unimed-Rio. “O pessoal agora me liga perguntando onde arrumei uma bola de cristal.”

Sirlaine acertou, por exemplo, o empate do Brasil com o México em 0 a 0.

Nos oito bolões analisados pela reportagem, entre os resultados mais acertados estão Brasil 3 x 1 Croácia e França 3 x 0 Honduras.

CORPORATIVO

Em muitos casos, os bolões são organizados pelas próprias empresas. É o caso da Dow, multinacional do setor químico, que possui um site próprio para os palpites.

A ideia, diz, é “gerar engajamento interno e motivação dos funcionários”.

A Walmart.com também adotou a iniciativa e conta com 600 participantes. Como em outros grupos, os líderes não se encaixam no perfil de fanáticos por futebol.

Natália Parodi Picanço, 22, e Eduardo Leite Silva Pinto, 30, disputam a primeira colocação, apesar de dizerem que a paixão pelo futebol se limita ao Corinthians (ela) e ao São Paulo (ele).
“Se me perguntar escalação, tática, não sei nada. Meus palpites foram meio aleatórios”, afirma Natália.

Os dois dizem que os colegas se prepararam com análises estatísticas sobre o desempenho das seleções para definir as apostas.

“Agora, alguns vêm até me perguntar os palpites”, afirma Eduardo, cujo desempenho se deve a uma tática meio camicase: “Vi que a Copa começou com placares que ninguém esperava e comecei a apostar em zebras. Vou manter a lógica agora para as próximas fases.” Para seleções como Brasil, Argentina, Alemanha e Itália, é melhor que Eduardo esteja errado.

foto jornal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Folha de S Paulo, Folha na Copa, 29/06/2014