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18/02/2011

às 7:27 \ Tecnologia

Internet: ontem, mercado incerto. Hoje, sucesso garantido

Um dos aspectos mais fascinantes do avanço tecnológico é a forma com que a internet abriu, para milhões de empresas, as portas para novos mercados e novos consumidores. Em reportagem de capa em fevereiro de 2000, VEJA detectava o surgimento dos primeiros milionários do mundo digital – e o sucesso das empresas pontocom. Alertava, porém, para os riscos de investir em um mercado ainda incerto. Uma década depois, o tema volta a ocupar as páginas da revista. Desta vez, para destacar um novo fenômeno: os sites de compra coletiva.

Em 23/2/2000: Milionários.com
O valor de mercado das empresas americanas nascidas em torno da rede mundial já supera 1 trilhão de dólares. Em relação aos americanos, os números da internet brasileira são ainda muito pequenos, mas algumas semelhanças entre os dois fenômenos indicam que o caso brasileiro pode replicar em escala menor o que se passa nos EUA. Em nenhum outro lugar do mundo o ritmo de crescimento da internet supera o verificado no Brasil. Como aconteceu nos Estados Unidos, jovens imberbes estão ganhando milhões com empresas de garagem criadas em torno da internet. Esse segmento mais espevitado da internet, o ocupado pelos pequenos empreendedores, é uma ponta apenas da nova economia montada em torno do computador, uma onda de choque que está revolucionando o capitalismo no mundo. Os jovens estão no lado mais espontâneo e surpreendente do fenômeno.

As empresas chamadas dotcom, ou pontocom, nada mais são do que o triunfo da esperança sobre a realidade. Isso porque pouquíssimas dão lucro e todas prometem ser grandes máquinas arrecadadoras num futuro que ninguém se arrisca a dizer quando vai chegar. Para um bom número de economistas americanos esse modelo tem características das velhas “bolhas” de euforia que tantos dissabores provocaram no passado. Ninguém sabe ao certo se os sites que hoje valem milhões mesmo sendo deficitários vão realmente se tornar lucrativos um dia. Por enquanto, os investidores americanos e brasileiros têm colocado dinheiro real em esperança virtual.

Em VEJA de 16/2/2011: A liquidação agora é em casa
Com os preços em trajetória ascendente, os 90 milhões de brasileiros que compõem o efervescente mercado consumidor do país vão à caça de promoções com novo ímpeto. É o que tem impulsionado um gênero de negócio que surgiu no Brasil há menos de um ano, mas já começa a transformar, de modo decisivo, o ato da compra. Trata-se dos sites de compras coletivas, espécies de atacadões virtuais que vivem de ofertar produtos e serviços com descontos que oscilam entre 50% e 90%. Eles atuam como intermediários entre milhares de clínicas de estética, agências de turismo, teatros e restaurantes e a clientela potencial, cadastrada no site. São regidos por uma lógica simples: vender o mesmo artigo ao maior número de pessoas num espaço curto de tempo, para proporcionar o menor valor possível. Fenômeno de dois anos para cá nos Estados Unidos e em países da Europa, esses portais de ofertas já colecionam números espantosos no Brasil. Em tão pouco tempo, surgiram 400 empresas de compras coletivas atuando em 45 cidades brasileiras e outras 600, recém-registradas, estão por vir até março. Mais de 8 milhões de brasileiros se tornaram adeptos, número que, estima-se, deverá cravar os 20 milhões até o fim do ano.

Como intermediários na venda, os sites levam uma comissão que varia entre 20% e 50% da conta a ser paga pelo cliente. O restante é destinado às lojas que prestam o serviço, atualmente 10 000 – 80% delas de tamanho modesto e nome desconhecido. Diante da explosão dos sites de compras coletivas no Brasil – que crescem em ritmo jamais registrado por outros negócios na rede -, resta saber quantos terão condições de sobreviver. Há um consenso de que não serão muitos. Com a economia em franca expansão, 35 milhões de pessoas recém-guindadas à classe C e um pendor fora do comum pelas redes sociais (maior canal de divulgação para os sites de compras coletivas), o país está no alvo dos grandes investidores da internet. Ao que tudo indica, o que se vê hoje é apenas o início de uma transformação radical na maneira de ir às compras.

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3 Comentários

  1. osmar costa

    -

    18/02/2011 às 13:34

    Sou franquiado de um site de compras coletivas e já tenho 400 cadastrados. Estou fechando varias parcerias com restaurantes e outras lojas. Quero crer que vou ganhar muito dinheiro. Estou no pique.

 

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