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Reportagem de Capa / Edição 270 - Julho/2011

Empresário precisa estudar?

Sentar nos bancos da escola ajuda ou atrapalha quem tem ímpeto empreendedor? Para responder a essa pergunta, entrevistamos especialistas em todo o mundo e demos a palavra a 50 dos mais bem-sucedidos homens de negócios do país. Nas próximas páginas, você vai descobrir as respostas e também como cada um deles aprendeu — de verdade — a fazer negócios

por Sérgio Tauhata, com reportagem de Patrícia Machado e Bruna Martins Fontes

Maná EDI
NEGÓCIOS NA SALA DE AULA | Alunos da pós-graduação em Administração da FIA, em São Paulo: aposta no aprendizado convencional
Empresários podem ser fabricados e moldados nos bancos escolares? a discussão a respeito dessa pergunta carrega dois dos mais poderosos — e perigosos — mitos do empreendedorismo: 1) o de que empreendedor nasce empreendedor; 2) o de que não é preciso ter educação nem tampouco experiência para abrir e manter uma empresa com sucesso. enquanto os cientistas tentam descobrir o gene que faria uma pessoa ter mais aptidão para os negócios que outra (ainda não há estudos conclusivos), o americano peter thiel inventou um jeito de deixar o assunto em evidência. há pouco mais de dois meses, ele decidiu colocar US$ 2 milhões nas mãos de 24 jovens com menos de 20 anos (quase US$ 100 mil para cada um!), desde que eles abandonassem a faculdade e se dedicassem exclusivamente às suas startups (veja na pág. 57). “Precisamos de um melhor modelo de geração de conhecimento”, diz Thiel, ele mesmo um visionário, 44 anos, dois diplomas por Stanford, um de Direito e outro de Filosofia, no currículo, que traz também a fundação do PayPal (sistema de pagamentos pela rede) e investimentos de fase inicial do Facebook — negócios que o colocaram na confortável posição de investidor bilionário e mantenedor de uma fundação que leva seu nome.

A ideia de Thiel foi acolhida com ceticismo nos Estados Unidos, país que detém o maior número de escolas de empreendedorismo do mundo: nada menos que dois mil centros, de acordo com a Fundação Kauffman, uma das mais respeitadas instituições dedicadas ao ensino do tema. Por lá, já preocupa o fato de o abandono dos estudos estar sendo considerado até motivo de orgulho em certos meios: “O ambiente de negócios em tecnologia encoraja os estudantes a desistir”, disse ao Financial Times o diretor de empreendedorismo da Universidade de Berkeley, Andre Marquis, que viu três de seus alunos trocarem a escola por startups no último semestre.

Revista PEGN
Para o professor Enio Pinto, diretor brasileiro de parcerias e programas globais do Babson College, de Boston, outro importante centro de pesquisas, o distanciamento da vida acadêmica levanta pontos importantes sobre a qualidade e a validade da educação, mas pode ser um exemplo perigoso para quem quer se arriscar na nova sociedade do conhecimento: “Um empreendedor que nunca frequentou a universidade não fica automaticamente numa situação mais ou menos confortável. O que muda é a forma de aprendizado: quando se tem educação, os tombos doem menos”.

Será? Para o professor Fernando Dolabela, da Fundação Dom Cabral (FDC), autor de 11 livros sobre o tema e fervoroso defensor da educação empreendedora, o que está em questão não é a necessidade ou não de estudar, e sim o que é ou não possível aprender. “Não é na porta da universidade que se deve bater quando se procura capacidade. Existem competências que não podem ser ensinadas”, diz, em alusão à aparente habilidade inata que empreendedores têm de identificar boas oportunidades no mercado. Dolabela, contudo, pede calma àqueles que, a partir dessa afirmação, se apressam em dizer que escola é pura perda de tempo. “O motor da geração de ideias não está confinado a quatro paredes, e sim na rua. Mas é inegável que a escola tem o poder de produzir e gerar riquezas em maior escala.”

Seja entre os especialistas, seja entre os empreendedores de sucesso — que colecionam as mais diversas formações —, sobram argumentos para a defesa de qualquer tese sobre a necessidade ou não de cursos e diplomas. Em um país como o Brasil, no entanto, questionar a validade da educação é no mínimo arriscado. Senão, vejamos: os brasileiros ocupam hoje a assombrosa 88a posição no Relatório de Monitoramento Global da Unesco, que observa o desempenho de 127 países em relação a metas de qualidade para a educação. Mais: embora sejamos hoje um dos paí­ses em que mais aumentaram os investimentos em educação, ainda temos 600 mil crianças fora da escola. “Empreendedor precisa estudar, sim. Não é preciso ter MBA para abrir uma empresa, mas o conhecimento é um combustível para o sucesso dos negócios”, diz Juliano Seabra, diretor de pesquisa e educação da Endeavor no Brasil.

Revista PEGN
Seabra afirma que o problema de pôr em xeque a necessidade ou não de estudar para ser um empresário de sucesso, a exemplo do que faz agora Peter Thiel com seus pupilos, é incentivar jovens a abdicar precocemente de instrumentos de extrema valia para suas trajetórias. Para ele, é preciso lembrar que, por décadas a fio, o Brasil foi o país dos bacharéis. Pais e mães sonhavam com filhos diplomados preferencialmente em Direito, Engenharia ou Medicina. Ou com a admissão de um deles em concursos públicos, o que lhes garantiria sustento e estabilidade. Ao contrário do que ocorre na sociedade americana, onde ser empresário, há tempos, é visto como razão de orgulho para pais e mestres, os brasileiros começaram a mudar sua opinião sobre o assunto somente agora. “Até 20 anos atrás, empreender era visto como uma aventura, coisa de maluco mesmo. Essa visão, fruto de sucessivos planos econômicos que geravam insegurança, só perdeu força nos últimos anos, com a estabilidade e o crescimento do país”, afirma Seabra.

A origem da equivocada crença de que empresários — de sucesso ou não — eram aqueles que não se davam bem nos estudos formais está relacionada com a proporção entre as taxas de empreendedorismo por oportunidade versus as de empreendedorismo por necessida¬de. No Brasil, até 2003, a segunda sempre foi maior que a primeira. A mudança tem sido paulatina. Em 2010, para cada empreendedor por necessidade havia outros 2,1 que empreendiam por oportunidade. O número atual é semelhante à média dos países que participaram do estudo, que foi de 2,2 empreendedores por oportunidade para cada um por necessidade. Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) apontam também outra tendência: a de que os empreendedores brasileiros estão mais escolarizados. A maior parte dos empresários iniciantes hoje tem de cinco a onze anos de estudos. Por outro lado, quem tem menos bagagem curricular, com até quatro anos de estudo, abre menos negócios. Outra boa nova é que, de acordo com o Sebrae, nos últimos cinco anos mais de 200 mil estudantes de ensino fundamental e médio frequentaram cursos de empreendedorismo em escolas de todo o Brasil. No ano passado, aportou por aqui a plataforma de ensino FastTrac, da Fundação Kauffman, que tem por objetivo facilitar o ensino de empreendedorismo e a criação de empresas em qualquer área, da matemática à arquitetura, das ciências sociais à engenharia. Em apenas um ano, o programa já está presente em mais de 25 universidades em todo o país.

Mas, antes de celebrar as mudanças, é preciso lembrar que, na cabeça de muita gente, o empreendedorismo continua sendo uma espécie de terceira via para quem não tem talento ou paciência para o estudo formal, ou, na hipótese de ter, não conseguiu emprego. Um dos negócios mais famosos de São Paulo nos anos 80, por exemplo, era a lanchonete chamada “O engenheiro que virou suco”. No Brasil, empresários talhados fora dos muros da escola, como Silvio Santos ou Samuel Klein, ainda costumam ser lembrados como exemplo-mor da suposta irrelevância da educação formal. Na opinião de Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, de São Paulo, o principal benefício que o estudo formal traz a um empreendedor é diminuir sensivelmente a sensação de risco e incerteza que abrir e tocar um negócio sempre traz a qualquer pessoa, independentemente de sua formação. “Educação traz segurança. Quando o empresário recorre a mentores, a palestras, a livros e a qualquer outra fonte de conhecimento, ele identifica melhor quais são suas habilidades e diminui o seu grau de incerteza. Por outro lado, autoconfiança demais pode ser o começo do fim de um negócio.”

Revista PEGN
Os números sugerem que estudar faz mesmo diferença. Tome-se por exemplo a lista das pessoas mais ricas do mundo, elaborada pela Forbes. Dos mais de 270 bilionários americanos que construíram suas fortunas sem herdar um único dolar, apenas 9% têm curso superior incompleto ou pararam no ensino médio. Chama a atenção também a porcentagem de bem-sucedidos egressos das melhores universidades americanas: 10% vieram de Harvard e outros 5% de Stanford. Mas esses dados não têm o poder de encerrar a controvérsia. Quem observa o topo do ranking descobrirá logo que, nas dez primeiras colocações, são cinco diplomados versus cinco que largaram os estudos. Aqueles que acham que a chamada “escola da vida” é mais relevante para o sucesso do negócio podem pinçar da lista nomes como Bill Gates (2o colocado), que deixou seu curso de Direito em Harvard no terceiro ano; ou Larry Ellison (5o), fundador da Oracle, que deixou dois cursos superiores, um de Matemática e outro de Física, no meio do caminho; ou ainda Amancio Ortega (7o), fundador da espanhola Zara, que completou apenas o ensino médio. Entre os que têm um diploma para ostentar estão o mexicano Carlos Slim Helu (1o colocado) e Warren Buffet (3o), ambos formados em Administra¬ção. Mas os defensores dos livros têm mais um argumento na manga: dados da Fundação Kauffman mostram uma relação direta entre boa formação e performance. Um estudo realizado em 2010 mostrou que os donos de negócios formados pelas principais universidades dos EUA apresentam faturamento cerca de três vezes superior ao dos seus pares que completaram só o ensino médio.

Embora não faltem exemplos para defensores de qualquer um dos pontos de vista, a professora de empreendedorismo Lynda Applegate, da Harvard Business School, sublinha que a “velha-guarda” do empreendedorismo não serve como modelo para as próximas gerações e tampouco pode ser vista como referência para o que vai ocorrer daqui para a frente: “A nova geração empreendedora é global e educada. Quem quer entrar de verdade no mundo dos negócios inovadores e de alto impacto tem de se preparar. Mesmo que seja por conta própria”, diz. “O problema dessas histórias de sucesso sem estudos é que elas nunca são lembradas levando em conta o contexto e a época em que se deram”, afirma o coordenador de projetos do centro de empreendedorismo e novos negócios da Fundação Getulio Vargas (FGVCenn), René Fernandes.

Sair em busca de oportunidades de conhecimento foi uma decisão do ex-office-boy Edivan Costa, de 39 anos, fundador da empresa de licenciamentos Sedi (depoimento na pág. 54). A história de Edivan exemplifica bem o quão distorcida é a imagem de que o empreendedor nasce empreendedor. Obstinado, ele vivia com documentos de uma imobiliária embaixo do braço. Seu papel era conseguir licenças e alvarás, numa constante peregrinação a órgãos públicos de Belo Horizonte, a cidade onde nasceu. Enquanto procurava os atalhos para a burocracia, viu uma oportunidade. Mas, antes de montar sua empresa, devorou todos os livros de gestão que via pela frente. “Em geral, os empresários bem-sucedidos que não têm formação escolar encontram o conhecimento de outras maneiras. No caso do Edivan, colegas, livros e pesquisas foram decisivos”, observa Juliano Seabra, da Endeavor.

Ao longo desta reportagem, 50 empreendedores que frequentaram os mais diferentes cursos, ou então abandonaram a escola, revelam como aprenderam a fazer negócios. Embora as formações sejam variadas, todos eles deixaram claro que há, sim, coisas que não dá para aprender nem mesmo na mais renomada das instituições, a saber: paixão, compaixão, humildade, persistência, criatividade, coragem e, sobretudo, a disciplina de se tornar um ser humano melhor.

 EM SALA DE AULA E FORA DELA
Empresários de trajetórias variadas contam como aprenderam a fazer negócios

 THÁI NGHIÃ, 53 ANOS, FUNDADOR DA GOÓC, FABRICANTE DE SANDÁLIAS DE PNEUS
Faturamento: R$ 22 milhões
Formação: Administração no Mackenzie (SP)

Editora Globo
“ Fiz Matemática e Publicidade, mas não concluí. Aos 40, mudei para Administração e percebi que, na minha empresa de bolsas, faltava um conceito. Queria um produto mais elaborado e desenvolvi isso na faculdade. No curso, aprendi muito sobre estratégia e marketing, e a Goóc surgiu daí.”


 LEANDRO SCABIN, 34 ANOS, SÓCIO-DIRETOR DA SORVETERIA DILETTO
Faturamento: R$ 10 milhões
Formação: Engenharia Civil no Mackenzie (SP)

Editora Globo
“A faculdade não fez diferença no negócio. Acho que a maioria dos cursos não discute as dificuldades, aborda só o lado bom dos negócios.”


 BERNARDO AMARAL GOULART, 38 ANOS, PRESIDENTE DO SITE DE LEILÃO DE CENTAVOS BIDSHOP
Faturamento: R$ 12 milhões
Formação: ensino médio

Editora Globo
“Formação acadêmica é importante, mas não sei se faria diferença. Talvez inibisse minha vontade de empreender. Abri a primeira empresa com 16 anos e aprendi no dia a dia. Sempre liguei para amigos que sabiam resolver os problemas.”


 JAE HO LEE, 46 ANOS, FUNDADOR E DIRETOR DO GRUPO ORNATUS (MORANA E BALONÈ, LOJAS DE ACESSÓRIOS, E JIN JIN WOK, DE COMIDA ASIÁTICA)
Faturamento: R$ 160 milhões
Formação: Administração na USP

Editora Globo
“A formação me ajudou, mas não é tudo. Como empreendedor, preciso de competências como persistência e determinação.”


 CAÍTO MAIA, 42 ANOS, FUNDADOR E CEO DA REDE DE LOJAS CHILLI BEANS
Faturamento: não divulgado
Formação: ensino médio

Editora Globo
“ Estudei música, mas não fiz faculdade. Aprendo no dia a dia. Quando comecei a crescer, senti falta de conhecimento técnico e contratei diretores de marketing e financeiro.”


 FILADELFIO VENCO, 56 ANOS, COPRESIDENTE DO CONSELHO DO LABORATÓRIO DIAGNÓSTIKA
Faturamento: não divulgado | Formação: Medicina na USP e especialização no Japão

Editora Globo
“ Ainda na faculdade, queria abrir um laboratório, mas ser empreendedor era até motivo de vergonha. Aprendi gestão mais tarde, com a Endeavor. Se pudesse, faria Administração.”


 GUSTAVO CAETANO, 30 ANOS, FUNDADOR E CEO DA PLATAFORMA DE VÍDEOS ON-LINE SAMBA TECH
Faturamento: R$ 10 milhões
Formação: Publicidade e Propaganda na ESPM, cursos de Inovação no MIT e de Gestão de Produtos no Silicon Valley Product Group (EUA)

Editora Globo
“A faculdade me deu noção de negócios. Nos outros cursos, vi como companhias criam e gerenciam produtos. Agora, lançamos alguma inovação a cada 15 dias.”


 LISABETH BRAUN, 52 ANOS, PRESIDENTE DA FABRICANTE DE COSMÉTICOS DERMAGE
Faturamento: R$ 36 milhões
Formação: Farmácia e Bioquímica na UFRJ

Editora Globo
“Minha formação ajudou no negócio de cosméticos, principalmente no desenvolvimento de produtos, mas ter conhecimento de administração e de empreendedorismo poderia ter feito minha empresa crescer mais rapidamente.”


 JOSÉ CARLOS SEMENZATO, 43 ANOS, PRESIDENTE DA HOLDING DE FRANQUIAS SMZTO
Faturamento: R$ 150 milhões
Formação: técnico em Processamento de Dados

Editora Globo
“Se tivesse cursado faculdade, não teria feito a verdadeira escola da vida no grupo de empresas em que trabalhei. Não teria criado a Microlins e não teria me realizado como profissional, nem sequer financeiramente.”


 ANTONIO SETIN, 55 ANOS, FUNDADOR E PRESIDENTE DA INCORPORADORA SETIN
Faturamento: não divulgado
Formação: Arquitetura na Universidade de Guarulhos (SP)

Editora Globo
“Comecei a trabalhar cedo e, aos 14 anos, entrei numa marcenaria. Na faculdade, vi que tinha aprendido muito com essa experiência. Sabia lidar com clientes e sonhava em construir. Se tivesse estudado empreendedorismo, talvez controlasse melhor os objetivos e pudesse atingi-los com menos esforço.”


 ROBERTA RUBAUDO, 37 ANOS, SÓCIA-GERENTE DA MAHA, ACADEMIA DE PILATES
Faturamento: R$ 1 milhão
Formação: Administração na Unicamp e Educação Física na Unip (SP)

Editora Globo
“Quando resolvi abrir um negócio relacionado a atividade física, fui estudar para me qualificar e oferecer treinos personalizados. No meu caso, a formação técnica foi mais relevante que a de Administração.”


 VALÉRIO DORNELLES, 45 ANOS, PRESIDENTE DA EMPRESA DE TECNOLOGIA PARA CONSTRUÇÃO TECNO LOGYS
Faturamento: R$ 20 milhões
Formação: Engenharia na USP e MBA na ESPM (SP)

Editora Globo
“Com 19 anos, montei uma loja e comecei a cursar Administração, mas parei para me concentrar em Engenharia. Fiz MBA para melhorar como gestor. Ficou mais fácil fazer planejamento estratégico.”


 LUIS FELIPE CUNHA CAMPOS, 42 ANOS, SÓCIO-DIRETOR DA REDE DE FAST-FOOD SELETTI
Faturamento: R$ 10 milhões
Formação: Hotelaria na Suíça

Editora Globo
“ É importante me informar sobre meu segmento, participar de cursos, seminários, apresentações e de entidades do setor para ter visão mais ampla e prática do ramo de atuação.”


 FABIO LOPES BUENO NETTO, 51 ANOS, FUNDADOR E SÓCIO DA 24X7 CULTURAL, DE MÁQUINAS DE LIVROS
Faturamento: não divulgado
Formação: Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná
Editora Globo
“Se tivesse formação em gestão, muita coisa seria mais fácil e eu saberia otimizar meu tempo. Medicina foi importante, porque essa área é campeã em solução de problemas e tomada de decisões racionais, e me ajudou a lidar com pessoas.”


 NEWTON DE OLIVEIRA, 60 ANOS, FUNDADOR E CEO DA FABRICANTE DE GASES INDUSTRIAIS IBG
Faturamento: R$ 95 milhões
Formação: Engenharia Química (graduação e mestrado), pós em Finanças, Administração e Marketing em Harvard e doutorado em Administração na FGV-SP

Editora Globo
“ Trabalhei 18 anos em outras empresas do setor e vi o que havia de errado e certo na gestão alheia. Cursos dão agilidade mental: matemática melhorou meu raciocínio. Para o negócio, foi bom também conhecer finanças, marketing e vendas.”

 CELSO LODUCCA, 53 ANOS, PRESIDENTE DA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE LODUCCA
Faturamento: R$ 93 milhões (estimado para 2011)
Formação: superior incompleto

Editora Globo
“ Frequentei seis faculdades (Física, Química, Biologia, Engenharia, Psicologia e Publicidade e Propaganda), nenhuma concluída. Trabalhei em várias empresas antes de fundar a minha. A faculdade não me ajudaria, porque o que se aprende lá é muito distante da vida real. Mas saber mais sobre finanças evitaria erros.”


 FABIO SEIXAS, 36 ANOS, COFUNDADOR DO CAMISETERIA.COM, SITE DE VENDA DE CAMISETAS
Faturamento: não divulga
Formação: análise de sistemas na PUC-RJ

Editora Globo
“Estudar tecnologia me fez descobrir oportunidades nessa área, especialmente na internet. É importante entender de planejamento, finanças e ter conhecimentos específicos do setor.”


 ALCIDES BRAGA, 47 ANOS, SÓCIO DA FABRICANTE DE BAÚS PARA CAMINHÕES TRUCKVAN
Faturamento: R$ 35 milhões
Formação: superior incompleto

Editora Globo
“Fiz Letras, mas não concluí. Se estudasse gestão, teria mais conhecimento sobre estratégia, mas não me ajudaria a entender o negócio e o setor. Palestras e cursos rápidos foram úteis para eu perceber que outros empresários enfrentavam as mesmas dificuldades.”


 ALESSANDRO BOMFIM, 34 ANOS, FUNDADOR E CEO DA SAGA, ESCOLA DE ARTE, GAMES E ANIMAÇÃO
Faturamento: R$ 7,5 milhões
Formação: ensino médio

Editora Globo
“Comecei como panfleteiro de uma escola de informática. Passei a vendedor, gerente de vendas e comprei uma unidade. Sempre fui forte em estratégia e percebi que deveria mudar o foco da escola para games e animação. Fiz cursos rápidos de marketing e aprendi na prática.”


 MARCUS HADADE, 39 ANOS, COFUNDADOR E PRESIDENTE DA EMPRESA DE TECNOLOGIA ARIZONA
Faturamento: R$ 47 milhões
Formação: Administração na Faap (SP)

Editora Globo
“Não acredito só em veia empreendedora. Na faculdade, ouvir empresários me ajudou muito, porque via onde e como poderia usar o que aprendia. É importante ter exemplos práticos e aprender com os erros dos outros.”


 PAULO CESAR CHACUR, 48 ANOS, SÓCIO E DIRETOR-EXECUTIVO DA EMPRESA DE SOLUÇÕES PARA E-COMMERCE ESCALENA
Faturamento: R$ 10 milhões | Formação: Economia na FAAP (SP)

Editora Globo
“O meu relacionamento com colaboradores é tão importante quanto saber administrar e planejar. Aprendo mais com as críticas que recebo do que com os incentivos.”


 ANDRÉ LUIS SOARES PEREIRA, 45 ANOS, SÓCIO E DIRETOR DA FABRICANTE DE MODA FITNESS FOUR STYLE
Faturamento: R$ 1,5 milhão
Formação: Direito na Universidade Cândido Mendes (RJ) e pós-graduação em Gestão Empresarial no Ibmec

Editora Globo
“Ao planejar minha carreira corporativa como advogado, decidi que em algum momento iria abrir uma empresa. Estudar gestão me deu mais visão de negócios.”


 MARCOS PEIGO, 31 ANOS, DIRETOR-PRESIDENTE DA EMPRESA DE SOLUÇÕES EM TI SOLVO MISSÃO CRÍTICA
Faturamento: R$ 15 milhões
Formação: superior incompleto

Editora Globo
“ Fiz Engenharia, Economia e Administração, mas não concluí. Não fez diferença no meu desempenho, só no currículo. Li mais de cem biografias para conhecer experiências e passei noites em claro lendo estudos de casos. E trouxe um sócio com dois MBAs.”


 EDIVAN COSTA, 39 ANOS, FUNDADOR E PRESIDENTE DA ASSESSORIA EM LICENÇAS PARA EMPRESAS SEDI
Faturamento: R$ 7,5 milhões
Formação: ensino médio incompleto

Editora Globo
“Comecei a empreender aos 20 anos. Chegou uma hora em que precisei de formação, então estudei gestão. Aprendi muito de estratégia e logística, e vi que precisava melhorar muita coisa, como a área contábil. O conhecimento é transformador. Se soubesse mais de finanças, faturaria 50% a mais.”


 BETO COLOMBO, 47 ANOS, DIRETOR-PRESIDENTE DA FABRICANTE DE TINTAS E SOLVENTES ANJO
Faturamento: R$ 275 milhões | Formação: Técnico em Contabilidade, Gestão Estratégica na Unisul e Filosofia na Universidade Católica de Anápolis, com especialização em Filosofia Clínica na Universidade do Extremo Sul Catarinense

Editora Globo
“A Contabilidade me deu uma boa base para atuar como empreendedor. Fiz cursos deFilosofia para entender tanto de relações humanas quanto de administração.”

 RODRIGO FROES COELHO, 37 ANOS, SÓCIO DO RESTAURANTE JAM
Faturamento: R$ 11 milhões
Formação: Administração na FGVe pós em Finanças e Administração em Harvard

Editora Globo
“Meu desempenho nos negócios foi mais influenciado pela experiência acadêmica como um todo do que pelo conteúdo programático. Estudar não implica frequentar uma instituição de ensino. Posso aprender analisando concorrentes e trocando experiências.”


 ALBERTO MENACHE, 37 ANOS, DIRETOR-PRESIDENTE DA EMPRESA DE SOLUÇÕES DE GESTÃO LINX
Faturamento: R$ 130 milhões
Formação: superior incompleto

Editora Globo
“Entrei na empresa com 17 anos, por isso não terminei o curso de Administração na ESPM. Aprendi muito com outros empreendedores, com meu sócio e com quem sabia mais do que eu. Hoje bancamos o MBA de executivos e 50% dos cursos para os funcionários.”


 LITO RODRIGUEZ, 43 ANOS, FUNDADOR E GERENTE-GERAL DA DRYWASH, DE LAVAGEM DE CARROS
Faturamento: não divulgado
Formação: Publicidade na FIAM (SP)

Editora Globo
“Abri uma loja de móveis aos 19 anos. Fazia Economia, tranquei e comecei Publicidade, mas a faculdade não me dava ferramentas para empreender. Quando a empresa cresceu, a formação fez falta. Se pudesse voltar atrás, faria Administração para saber mais sobre gestão e finanças.”


 ROBSON DE BONIS, 43 ANOS, FUNDADOR E PRESIDENTE DA FABRICANTE DE EQUIPAMENTOS DE FITNESS TOTAL HEALTH
Faturamento: R$ 24 milhões
Formação: técnico em contabilidade

Editora Globo
“Eu tinha uma academia e desmontava equipamentos para copiar, porque era difícil comprar. Passei a fabricar esteiras e a testá-las em academias. Uma incubadora me ajudou a pôr a gestão em ordem. Nunca fiz cursos; aprendi com os erros.”


 MAURICIO CATELLI, 44 ANOS, FUNDADOR E DIRETOR DE MARKETING DA EMPRESA DE SOLUÇÕES DE AUTOMAÇÃO CAS TECNOLOGIA
Faturamento: R$ 43 milhões
Formação: Administração na FMU (SP) e pós em Marketing e em Negócios Imobiliários na FAAP

Editora Globo
“A pós foi o curso que mais valeu a pena para mim. O empreendedor pode aprender sempre. Saber mais sobre gestão de pessoas e motivação me ajuda.”


 BERNARDO LOBATO FERNANDES, 36 ANOS, FUNDADOR E CEO DA EMPRESA DE ALIMENTOS GLOBALBEV
Faturamento: R$ 180 milhões
Formação: Administração na Faculdade Izabela Hendrix (MG)

Editora Globo
“Completar um curso superior não faz diferença. Quem quer crescer precisa se atualizar com mais cursos, livros, internet e revistas. Tenho de saber um pouco de tudo e muito daquilo que é decisivo para o negócio.”


 ALAN JAMES, 35 ANOS, FUNDADOR E DIRETOR DE INOVAÇÃO DA BIRUTA IDEIAS MIRABOLANTES
Faturamento: R$ 12 milhões
Formação: ensino médio incompleto

Editora Globo
“Fugi da escola no começo do ensino médio. Se tivesse formação, teria quebrado menos a cabeça, mas não teria vivido tantas experiências inusitadas e a Biruta não seria tão mirabolante. A melhor escola é a vida, mas valorizo quem estuda.”


 CLÓVIS SOUZA, 41 ANOS, DIRETOR DA FLORICULTURA ON-LINE GIULIANA FLORES
Faturamento: não divulgado
Formação: superior incompleto

Editora Globo
“A formação básica em Administração me ajudou a organizar a empresa, mas é imprescindível um curso, mesmo que seja técnico ou livre, de especialização no negócio — fiz design floral. Terminar a faculdade talvez ajudasse nas decisões.”


 ARTUR HIPÓLITO, 50 ANOS, DIRETOR-PRESIDENTE DO GRUPO DE MICROFRANQUIAS ZAIOM
Faturamento: R$ 7,5 milhões
Formação: Direito na PUC-Campinas e pós em Marketing na ESPM (SP)

Editora Globo
“Minha formação foi decisiva. O sucesso resulta da soma de conhecimentos — técnicos, comerciais, jurídicos, de gestão — necessários para um negócio perene.”


 CLAUDIO NASAJON, 49 ANOS, PRESIDENTE DA DESENVOLVEDORA DE SOFTWARE NASAJON
Faturamento: R$ 18 milhões
Formação: Engenharia na UERJ, pós na PUC-Rio, extensão na Syracuse University, especialização em Wharton e Harvard Business School

Editora Globo
“A Engenharia faz pensar com disciplina e os outros cursos me abriram os olhos para estratégia.”


 RICARDO FERREIRA NANTES, 33 ANOS, PRESIDENTE DO PORTAL EDUCAÇÃO
Faturamento: R$ 11,5 milhões
Formação: Farmácia e Bioqúmica na UFMS (MS), MBA Executivo Empresarial, especialização em educação a distância e Farmacologia, mestrado em Saúde Coletiva

Editora Globo
“Muito do que sei veio da busca pessoal. A faculdade não tem a velocidade do mercado.”


 EDUARDO BARBOSA, 51 ANOS, DIRETOR-PRESIDENTE DA OPERADORA DE TURISMO FLOT
Faturamento: R$ 60 milhões
Formação: História na PUC (SP)

Editora Globo
“Comecei a cursar Turismo, mas parei quando fui trabalhar em uma operadora — estudar não fazia mais sentido. Quando abri a empresa, não tive dificuldade em gestão, mas, se tivesse estudado o tema, teria melhor direcionamento.”


 EDGAR MARÇON, 52 ANOS, SÓCIO DA CONSULTORIA PLK
Faturamento: não divulgado
Formação: Administração na FMU (SP), pós em Administração na Fundação Dom Cabral

Editora Globo
“Como empreendedor, preciso ter domínio da área para aumentar minhas chances de sucesso – portanto, a educação, mesmo que não seja formal, é um pré-requisito.”


 FLAVIO RICHIERI, 43 ANOS, SÓCIO-DIRETOR DO PORTAL CCDE
Faturamento: R$ 7 milhões (estimativa 2011)
Formação: Administração e Análise de Sistemas na Fasp, Inovação em Stanford, MBA na Dom Cabral/Insead e mestrado em Administração no Mackenzie (SP)

Editora Globo
“Estudar é fundamental, mas também me torna mais consciente dos riscos, o que pode diminuir o ímpeto de empreender.”


 RAPHAEL LEVY, 50 ANOS, DONO E DIRETOR DE MARKETING DA ISRACO, DAS MARCAS LANSAY (MALAS) E FICO (SURFWEAR)
Faturamento: não divulgado
Formação: ensino médio

Editora Globo
“Se eu tivesse formação em Administração e Marketing, poderia ter encurtado processos. Optei por fazer o que gostava e me dediquei à marca que havia criado, a Fico. Peguei o carro e viajei até o Nordeste, vendendo, fazendo contatos e, lógico, surfando. Aprendi conhecendo meu produto e o mercado.”


 LEANDRO NEVES, 37 ANOS, DONO DA REDE DE LANCHONETES BLACK DOG
Faturamento: R$ 9 milhões
Formação: ensino médio

Editora Globo
“Achava que empreendedor não precisava estudar, mas agora penso que, se quiser crescer e me profissionalizar, terei de ir para a escola. Fiz um curso rápido de empreendedorismo e percebi que há muito a aprender.”


 MARCO ANTONIO CORRADINI, 44 ANOS, SÓCIO-FUNDADOR DO DELIVERY ON-LINE RESTAURANTEWEB
Faturamento: R$ 10 milhões
Formação: Análise de Sistemas no Mackenzie (SP) e pós-graduação em Tecnologia e Internet na Fasp (SP)

Editora Globo
“Fiz pós para ter mais embasamento e diferencial em tecnologia. Estruturei minha ideia e aprendi a buscar recursos e a fazer plano de negócios.”


 PAULO VERAS, 38 ANOS, SÓCIO DO PORTAL GUIDU
Faturamento: R$ 1 milhão (estimado para 2011)
Formação: Engenharia na USP e MBA no Insead (França)

Editora Globo
“Abri uma empresa aos 22 anos, vendi, fiz um MBA e voltei a empreender. Busquei o curso porque percebi que tinha tomado decisões erradas por falta de conhecimento.”


 MANUELLA BOSSA, 37 ANOS, DONA DAS MARCAS DE COSMÉTICOS TRUSS, K’DOR E WEEZE
Faturamento: R$ 14,4 milhões
Formação: Moda na Anhembi Morumbi (SP), pós em Marketing e RH na Universidade de Phoenix (EUA) e em Gestão Empresarial na FGV-SP

Editora Globo
“Antes de abrir a empresa, a pós em Gestão me deu noções de contabilidade, direito, estatística. A pós em Marketing me ajudou a fazer a equipe atuar de forma integrada, desde o químico até o setor de embalagens.”


 ALEXANDRE DA COSTA, 40 ANOS, FUNDADOR DA FABRICANTE E REDE DE LOJAS CACAU SHOW
Faturamento: R$ 1 bilhão
Formação: superior incompleto

Editora Globo
“Criei o negócio aos 17 anos, então não precisava de diploma para arrumar emprego. Quando comecei a profissionalizar a gestão, apliquei muitos conceitos da faculdade de Administração na Faap. Depois fui atrás de cursos de chocolate na Europa. Preciso ter noções de gestão e finanças, mas é essencial ser um especialista na minha área. Reconheço que não sei tudo e me cerco de gente que sabe mais.”


 LEILA VELEZ, 37 ANOS, PRESIDENTE E SÓCIA-FUNDADORA DA REDE DE SALÕES BELEZA NATURAL
Faturamento: não divulga
Formação: Administração na ESPM, MBA Executivo no Coppead-RJ e especializações na Harvard Business School, Columbia Business School e FGV

Editora Globo
“O conhecimento formal é um atalho; aprender com erros e acertos dos outros me fez ganhar tempo. O contato com os professores e a turma sempre gera ideias.”


 ROGÉRIO GABRIEL, 46 ANOS, FUNDADOR E PRESIDENTE DA ESCOLA PROFISSIONALIZANTE PREPARA CURSOS
Faturamento: R$ 116 milhões
Formação: Análise de Sistemas (Unicamp) e pós em Administração e Marketing (FGV)

Editora Globo
“A faculdade foi importante pela convivência. Depois de abrir uma empresa, busquei uma pós porque senti necessidade de mais subsídios.”


 RAFAEL CORDEIRO, 30 ANOS, SÓCIO-DIRETOR DA EMPRESA DE MÍDIA INDOOR ENOX
Faturamento: não divulgado
Formação: Administração na Universidade Positivo e Design Gráfico Multimídia no Martin College (Austrália)

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“As faculdades, mesmo as de Administração, preparam as pessoas para serem empregadas. Se o curso fosse mais focado em empreendedorismo, talvez eu tivesse começado antes.”


 SAMUEL PINHEIRO, 25 ANOS, DONO DA ESCOLA PROFISSIONALIZANTE EM PETRÓLEO E GÁS PETROCENTER
Faturamento: R$ 850 mil
Formação: superior incompleto

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“Comecei a fazer Economia e agora estou cursando Administração. Fazer cursos de gestão de equipe e de liderança é importante para aprender a delegar e a confiar em quem trabalha comigo.”


 RAFAEL SIQUEIRA, 34 ANOS, FUNDADOR E DIRETOR DE TECNOLOGIA DO PORTAL APONTADOR
Faturamento: não divulgado
Formação: superior incompleto

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“Deixei a Engenharia Mecatrônica na USP aos 23, para abrir o negócio. O foco em tecnologia me ajudou no raciocínio rápido e na competitividade. Criei boas relações com ex-colegas, como o Romero Rodrigues, do Buscapé.”

ACADEMIA DE OPORTUNIDADES | Principal centro de educação empreendedora nos EUA, o Babson College investe em professores-empresários, estudo de cases e muita — muita — prática
Empreendedorismo é mais do que uma disciplina acadêmica — é um modo de vida. É esse o mantra do Babson College, em Boston, uma das mais prestigiadas escolas do gênero em todo o mundo, onde estudam de fundadores de empresas a empreendedores corporativos, a exemplo de Roger Enrico, presidente do estúdio de animação DreamWorks e Akio Toyoda, CEO da Toyota. Nas aulas, o princípio é dar a palavra a quem aprendeu a fazer negócios fazendo. Por isso, empresários e consultores são maioria no quadro docente.

Os alunos entram em contato com clientes, ouvem suas necessidades e aprendem com situações do dia a dia. “Mostramos aos alunos a importância de entender a vida como ela é. Partimos sempre de casos reais para encontrar soluções, além de identificar oportunidades de mercado e também de inovação”, diz o brasileiro Enio Pinto, diretor de Parcerias e Programas Globais do Babson. O MBA da instituição aparece em primeiro lugar no prestigiado ranking do US News & World Report há 18 anos. A graduação também ocupa o topo da categoria nos EUA, à frente das universidades mais prestigiadas do país, como Harvard, Yale, Stanford, Princeton e Columbia.


PAGOS PARA DAR ADEUS AO DIPLOMA | Vinte e quatro jovens vão passar os próximos anos nos Estados Unidos em regime de dedicação exclusiva a suas startups — sem ir à escola e com quase US$ 100 mil no bolso para testar ideias que, se derem certo, podem mudar o mundo
O patrono do projeto “20 Under 20” é o americano Peter Thiel, investidor que se tornou bilionário depois de algumas apostas certeiras, como fez com o PayPal (sistema de pagamentos on-line) e com o Facebook. Ele ofereceu dinheiro aos estudantes sob a condição de abandono irrestrito da universidade. Bom marqueteiro, Thiel fez com que a ideia parecesse mais polêmica e arriscada do que realmente é. Para começar, ele escolheu a dedo cada um deles — todos prodígios. Muitos entraram na faculdade ainda adolescentes, a exemplo de Laura Deming, que estuda no Massachusetts Institute of Technology (MIT) desde os 14 anos. Laura, hoje com 17, vai usar sua bolada para criar uma empresa que estenda a expectativa de vida dos seres humanos por várias décadas. Os educadores se alarmaram quando Thiel botou a boca no mundo para dizer que o sistema escolar americano estava falido. Como investidor sagaz que é, Thiel sabe que os seus pupilos estão muito acima da média e, por isso, podem até prescindir da sala de aula. Se apenas uma startup vingar, ele ficará ainda mais rico. Se não, é pouco provável que o diploma venha a fazer falta para algum deles.

 Precisar, não precisa. Mas ajuda
Quem tem conhecimento pode aproveitar melhor as oportunidades

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Emerson Andrade, 37 anos, sócio-fundador e COO do site de compras coletivas Peixe Urbano
Faturamento: R$ 100 milhões
Formação: Administração na Universidade Federal do Paraná e MBA em Stanford

Sua formação em Administração fez diferença no desempenho à frente da empresa?
Sim. A faculdade e o MBA me permitiram conhecer um pouco sobre diferentes áreas, o que me deu estofo para montar um bom time de profissionais. Eles sabem muito bem o que estão fazendo. Isso foi fundamental para o crescimento do Peixe Urbano, que faturou mais de R$ 100 milhões em um ano de operação. Do curso técnico em eletrônica, levo o pensamento analítico que desenvolvi nessa época e que me ajudou bastante em outras áreas do negócio, uma vez que lido com tecnologia. Mas o maior presente por ter investido na minha educação foi conhecer meu sócio durante o MBA que fiz em 2005.

Empreendedor precisa ir para a escola?
A educação formal não é necessária, mas ajuda. Quem tem conhecimento de gestão está preparado para tomar decisões e aproveitar melhor as oportunidades que surgem. E, convenhamos, uma boa chance não passa duas vezes na sua frente. A escola também possibilita o contato com mais pessoas, e isso é essencial para o negócio, porque você aprende com gente que já trilhou aquele caminho. Mas conheço muita gente que fez sucesso mesmo sem ter educação formal. Há pessoas que já nascem sabendo negociar; outras só conseguem aprender um pouco disso na faculdade.

O que é preciso estudar para administrar bem o negócio?
É muito importante entender de gestão e do seu negócio. Mas o dono não precisa ser “expert” em todas as áreas. O ideal é saber um pouco sobre cada tema para acompanhar bem o trabalho de quem cuida desses setores. Esse conhecimento também deve ser usado para contratar bons profissionais.

O que você acha mais importante do que a formação?
Construir uma reputação sólida. O empreendedor precisa do apoio de amigos que indiquem pessoas influentes para o negócio. Para isso, é preciso ser reconhecido pela competência e pelos resultados — algo que não se aprende em nenhuma escola de negócios. Cursos enfatizam a importância de ter empatia para conquistar pessoas e de ouvi-las, mas não se aprende a fazer isso senão na prática.

De que outras maneiras é possível aprender?
O empreendedor só terá sucesso se estiver antenado com o que está acontecendo no mundo dos negócios e pesquisar as tendências e quais novas habilidades pode adquirir. Esse tipo de estudo é um investimento, mas não necessariamente em cursos — dá para aprender muito em livros, palestras, sites. É diferente quando se cria um negócio em uma área pela qual se tem paixão: nesse caso, mesmo sem intenção, você acaba estudando aquele assunto por puro prazer.

É possível aprender a ser empreendedor?
Algumas coisas não se aprendem, são características inatas, como ter paixão, perseverança, saber que vai cometer erros e que tem de lidar com isso. E, claro, estar disposto a trabalhar muito.

 DA CADEIRA DE CEO PARA O BANCO DA ESCOLA

O que levaria o dono de uma empresa com faturamento anual de R$ 10 milhões a voltar à escola? Aprender a fazer mais dinheiro é uma resposta. Mas aprimorar suas habilidades como empreendedor, ganhar eficiên¬cia e tornar seu negócio perene foi o que motivou Wel-lington Morga¬do, proprietário da Aguaboa, fornecedora de água para o mercado corporativo, a estudar novamente. Depois de um MBA Executivo, o empresário reformulou completamente a gestão financeira de sua fábrica em São Caetano do Sul, em São Paulo, e deve crescer 20% neste ano. O efeito do curso sobre o desempenho é evidente.

A educação continuada oferece ferramentas para diversas fases, desde a elaboração do plano de negócios até a consolidação de uma operação madura. “Um bom programa de empreendedorismo é aquele que consegue identificar as particularidades do aluno e integrá-las nas diferentes realidades”, diz Jaqueline Almeida, gerente de Atendimento Individual do Sebrae Nacional.

Startups, por exemplo, podem aproveitar cursos rápidos do Sebrae e de instituições como FGV e Fundação Dom Cabral, que apresentam técnicas essenciais para a empresa se desenvolver, como finanças, formação de preços, planejamento estratégico e marketing. Nos cursos de especialização, o contato prolongado com outros empresários e especialistas favorece o debate. “A pessoa pode testar seu modelo em sala de aula. Imagine receber espontaneamente avaliações de gente com a mais variada gama de experiências e competências? É inestimável”, afirma Alexander Damasceno, CEO da BI International, escola paulistana de negócios parceira de instituições internacionais como Babson, Columbia e Johns Hopkins.

Pequenas Empresas & Grandes Negócios ouviu consultores, professores e empresários para elaborar uma lista de cursos de gestão e empreendedorismo. Escolha o mais adequado ao perfil de sua empresa.



 CURSOS COM PÉ NO CHÃO

1. MBA EXECUTIVO EM GESTÃO EMPRESARIAL
Voltado para donos e diretores de empresas, o curso promovido pela Trevisan Escola de Negócios (SP) tem como objetivo trazer a realidade do mercado para a sala de aula. Após a exposição do conteúdo teórico, os professores promovem um debate dirigido. “Cada disciplina traz questionamentos específicos sobre o mercado atual”, afirma Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA. O curso também promove o Business Immersion: empresários são convidados a contar suas histórias.

Próximo curso: agosto de 2011
Processo seletivo: até julho de 2011
Valor: 18 parcelas de R$ 1.231,72
Requisitos: curso superior completo e análise curricular
Contato: (11) 3138-5215

2. PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
Solucionar problemas de gestão: esse é o objetivo do curso de um ano e meio de duração criado pela Fundação Instituto de Administração, SP (FIA), segundo o coordenador Almir Ferreira de Sousa. É possível cursar um dos cem módulos no Illinois Institute of Technology, em Chicago, ou na Columbia University, em Nova York.

Próximo curso: 23/9/2011
Processo seletivo: está aberto e vai até 15/9/2011
Valor: R$ 19 mil à vista, ou R$ 1.260 na matrícula e 26 parcelas de R$ 760 (não inclui módulo internacional)
Requisitos: ensino superior completo e pelo menos um ano de experiência em qualquer setor administrativo
Contato: (11) 3818-4022 ou (11) 3818-4023

Omar Paixão e Marcelo Corrêa
Wellington Morgado, 30 anos, Aguaboa, São Caetano do Sul (SP)
“Em 2008, cursei o MBA Executivo em Gestão Empresarial da Trevisan, para resolver um problema da empresa. Fornecer água mineral para o mercado corporativo foi uma ideia que deu certo. Mas o negócio cresceu tão rápido que logo fiquei sem estrutura para atender à demanda. Melhorei a gestão financeira e vamos crescer 20% neste ano.”

3. MBA EM EMPREENDEDORISMO E DESENVOLVIMENTO DE NOVOS NEGÓCIOS
Ministrado pela Fundação Getulio Vargas (RJ) desde 2008, tem como objetivo incentivar a criação de novos negócios. “Queremos mostrar que todos são capazes de abrir empresas de sucesso”, diz Marcus Quintella, coordenador acadêmico do curso. As aulas presenciais têm duração de 360 horas e abrangem 15 disciplinas, entre elas planejamento de marketing, estudos de estratégias e formação de preço. O curso on-line dura 72 horas e é focado em jogos de negócios: o aluno experimenta situações do cotidiano de uma empresa; ao final do game, monta um plano de negócios. O MBA é indicado tanto para donos de startups quanto para empreendedores com anos de experiência.

Próximo curso: setembro de 2011
Processo seletivo: maio a setembro de 2011
Valor: R$ 23.500 à vista, ou 28 parcelas de R$ 957
Requisitos: curso superior completo e análise de currículo
Contato: (21) 3799-5900, mba.botafogo@fgv.br

4. MBA GESTÃO DE FRANQUIAS
“O que um dono de uma rede de franquias precisa saber para realizar uma gestão de sucesso?” Essa foi a pergunta que motivou Juarez Leão, diretor de cursos e eventos da ABF, a criar o curso, uma parceria entre a Associação Brasileira de Franchising e a FIA. O programa funciona tanto para empresários que querem abrir franquias quanto para franqueadores e franqueados. Ao longo de um ano e meio, são ministradas 12 disciplinas. “Existe uma carência de cursos sobre franchising. Por isso, muitos empresários aprendem no dia a dia”, diz Leão. “Nesse curso, ensinamos os empreendedores a gerir pessoas dentro da rede e a realizar negociações, por exemplo.” Empreendedores de grandes redes, como Imaginarium e Rei do Matte, são convidados para participar das aulas.

Próximo curso: abril de 2012
Processo seletivo: de fevereiro a abril de 2012
Valor: R$ 29.160 à vista, ou R$ 1.425 no momento da matrícula e 21 parcelas de R$ 1.425
Requisitos: curso superior em qualquer área
Contato: cursos@provar.org

Omar Paixão e Marcelo Corrêa
Carlos Lepri Neto, 31 anos, Lepri Finas Cerâmicas Rústicas, Tambaú (SP)
“Fiz a Pós-Graduação em Administração para Pequenas e Médias Empresas da FIA em 2008. Descobri que a empresa não tinha um plano eficiente de compras e vendas, e gastávamos 50% mais do que o necessário. Elaboramos um planejamento orçamentário e reduzimos esses gastos em 20%.”



 JOGO RÁPIDO
Gestão, finanças e inovação, em cursos que vão de dois dias a sete meses

1. SEMANA DO EMPREENDEDOR
Durante dois dias, professores da Faculdade de Economia e Administração da USP abordam conceitos básicos de marketing, planejamento estratégico e financeiro.
Contato: (11)3091-5904, marketing@feajr.org.br

2. EMPREENDEDORISMO
O curso a distância do Ibmec é voltado para quem está abrindo um negócio. Com duração de um mês, traz informações sobre finanças, marketing e inovação.
Contato: (11) 4501-9696, faleconosco@ibmeconline.com.br

Omar Paixão e Marcelo Corrêa
João Almeida, 44 anos, Offshop, Rio de Janeiro (RJ)
“Decidi cursar o MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios da FGV em 2008. No mesmo ano, abri a Offshop, que abriga lojas de moda e serviços de beleza. Usei o que aprendi para escolher o ponto comercial. No primeiro ano, a taxa de ocupação foi de 60%. Hoje, todos os espaços estão alugados.”

3. ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS
Promovido pelo Sebrae, o curso de 45 dias identifica os pontos fortes e fracos do seu empreendimento. Ao final, cada empresa deve apresentar seu plano de ação estratégico.
Contato: 0800-570-0800

4. 10.000 WOMEN
Desenvolvido pela Fundação Dom Cabral, em parceria com o banco Goldman Sachs, o curso de sete meses tem como objetivo incentivar o empreendedorismo feminino.
Contato: 4005-9200 (capitais), 0800-941-9200 (demais localidades)

Omar Paixão e Marcelo Corrêa
Clederson Cabral, 35 anos, Mr. Mix, Paulínia (SP)
“Em 2008 resolvi expandir o negócio de milk-shake e fui fazer o MBA Gestão de Franquias, parceria da FIA e da ABF. Existe uma rotatividade alta no setor de alimentação. O curso mostrou que, se eu desenvolvesse manuais de conduta e treinamento, poderia criar uma cultura empresarial. Com isso, a rotatividade caiu 30%, e a rede faturou R$ 5,5 milhões em 2010.”



 CURSOS COM SOTAQUE

1. BUILDING VENTURES IN LATIN AMERICA
Desenvolvido por professores da Harvard Busi¬ness School e licenciado pelo Insper, é voltado para empreendedores de toda a América Latina. “Usamos estudos de casos para que os alunos aprendam os conceitos e possam resolver problemas semelhantes em suas empresas”, diz George Stein, diretor do programa. Professores de Harvard ministram 70% das aulas. O restante é ensinado por professores de instituições parceiras, como o Insper, a Fundação Dom Cabral e a Endeavor. Entre os temas abordados estão estratégias para expansão e construção de negócios sustentáveis.

Próximo curso: de 10 a 15 de julho de 2011
Processo seletivo: até 20 de junho de 2011
Valor: R$ 6.300 e R$ 7.200, com hospedagem
Requisitos: experiência em negócios e fluência em inglês
Contato: (11) 4504-2400, bvla2011@insper.edu.br

2. MBA DA STANFORD GRADUATE SCHOOL OF BUSINESS
Ter lições de empreendedorismo em Stanford, com gente como John Morgridge, da Cisco Systems, Andy Grove, fundador da Intel, Mark Leslie, fundador da Veritas Software e Peter Wendell, fundador da Sierra Ventures, é uma oportunidade única. “Aprendendo com empreendedores de sucesso, os alunos começam a construir desde já uma forte rede de relacionamentos”, diz Barbara Buell, diretora de comunicação da GSB. O curso dura dois anos: no primeiro, os alunos aprendem noções gerais de gestão; no segundo, podem escolher entre uma lista de 26 disciplinas eletivas. Em várias delas, as aulas contam com a participação de empreendedores, que contam suas histórias de sucesso.

Próximo curso: 2014
Processo seletivo: a primeira etapa termina em 12/12/2011
Valor: US$ 55.200 por ano (não inclui passagem e hospedagem)
Requisitos: preencher o formulário de admissão e mostrar que tem o perfil de um líder
Contato: 1-650-723-2766, gsb_info@gsb.stanford.edu

Omar Paixão e Marcelo Corrêa
Martha Costa, 41 anos, Log On, São Paulo (SP)
“Entrei no curso de Gestão e Crescimento Empresarial do Instituto Educacional BM&FBovespa para aprender a lidar com investidores. Há dois anos, eu e meu sócio, Eduardo Mace, criamos o DX, um provedor de conteúdo. Mas precisamos de aportes. Depois do curso, fiz contatos e devemos fechar com um investidor até o final do ano.”

3. GESTÃO E CRESCIMENTO EMPRESARIAL DE ALTO IMPACTO
Aulas ministradas por professores do Babson College (Boston, EUA) compõem esse curso de dois meses idealizado pelo Instituto Educacional BM&FBovespa.

Próximo curso: data não divulgada
Valor: não divulgado; a primeira edição custou R$ 12 mil
Requisitos: sócios ou representantes de empresas com faturamento anual mínimo de R$5 milhões
Contato: (11) 2565-4180, cursosie@bvmf.com.br